Ele está no meio de nós


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Como é bom estarmos juntos e sentirmos que conosco está o Senhor. Fortalecidos pelo Cristo-Palavra e pelo Cristo-Pão, iniciamos nova semana de convivência e serviço fraterno na família, na escola, no trabalho, no lazer, no repouso, em cada instante da nossa vida!

Estamos iniciando o mês de agosto. Neste mês, a Igreja propõe para as comunidades reflexão em torno do tema vocacional: o sacerdócio, a família, a vida religiosa e o engajamento cristão na Igreja e no mundo. Neste primeiro domingo de agosto, dediquemo-nos a refletir sobre a vocação sacerdotal. Participando da missa e escutando a Palavra de Deus, veremos que Deus chama o profeta Elias para uma missão; São Paulo fala, com tristeza, da não correspondência de seus compatriotas, os israelitas, ao chamado de Deus, e Jesus convoca Pedro para caminhar sobre as águas do mar. Cristo está no meio de nós, e nos fala.

PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura recorda a vocação do profeta Elias. Ele viveu num período histórico marcado por profundas mudanças políticas e sociais, o século nono antes de Cristo. Um general hábil e inteligente chamado Omri, toma conta do poder e começa uma obra de profunda transformação do seu reino. Assim Israel se torna uma nação rica e poderosa. Para isso acontecer muitas coisas erradas são feitas e muitas atitudes imprudentes são tomadas. A vida religiosa de Israel tem consequências desastrosas.
Contra essa colonização de cérebros e consciências, ergue sua voz corajosa o profeta Elias. Sente-se sozinho na luta e a rainha quer matá-lo. Foge, então, para o sul, em direção ao deserto, onde se encontra o monte de Deus, o Sinai, que é o lugar onde Moisés, 400 anos antes, se refugiou e ali se encontrou com Deus. Com Elias acontece a mesma coisa: recebe a revelação de Deus. Deus se encontra com ele no “murmúrio de uma leve brisa”. A vocação de Elias é marcada por contato próximo de Deus; falar em nome de Deus; medo de assumir a missão e suas consequências inevitáveis; denunciar as injustiças sociais; defender os pobres; purificar a religião por um Estado que governa em nome de Deus.
A vocação sacerdotal tem muito de Elias. Deus o chama ao sacerdócio, isto é, ao serviço de ser “ponte” entre o povo de Israel e Deus. Elias tem medo pois a sua missão não é fácil. O idílico chamado na brisa leve vai muito além. Deus se manifesta de forma inusitada, não nas formas esperadas. A manifestação inusitada de Deus implica enfrentar os desafios hodiernos de uma religião comprometida com a justiça social. O sacerdote, se não for como Elias, um homem de oração e de serviço, não poderá corresponder ao chamado de Deus.

SEGUNDA LEITURA
Na segunda leitura Paulo traz uma grande preocupação, sobretudo no trecho que hoje ouvimos da carta aos Romanos, reside no fato de os seus parentes na carne, os israelitas, não demonstrarem fé em Cristo, descendente dos patriarcas e Deus bendito pelos séculos. Paulo tem consciência de que Deus escolheu Israel como seu povo e com ele fez uma aliança eterna. O apóstolo tem esperança de que os seus compatriotas iriam compreender o mistérios da revelação de Deus em Jesus. Os judeus tinham Paulo como inimigo e traidor deles. Paulo manifesta sua fé na divindade de Jesus. Como Paulo, o sacerdote e os cristãos são chamados a testemunhar a fé em Cristo, Deus bendito pelos séculos.

EVANGELHO
O evangelho de hoje dá continuidade ao do domingo anterior. Mostra Jesus subindo ao monte, para rezar. No fim da tarde, volta caminhando sobre o mar. Os discípulos com medo, pensam se tratar de um fantasma. Jesus os convoca a ter fé. Pedro dialoga com ele e sai caminhando sobre o mar. Quando duvida, começa a se afogar, mas Jesus o acolhe. Os discípulos manifestam a fé em Jesus como Filho de Deus. Em que esse evangelho ilumina a reflexão, sobre vocação sacerdotal? Vejamos. Jesus caminha firme sobre o mar. Ele poderia realizar tal proeza, pois era o Filho de Deus. O mar é o lugar do medo, do não dominado, do mal, do não conhecimento humano, de onde vinha o Leviatã, o demônio.
O medo que vem do mar é contrastado, no evangelho, com o medo dos discípulos. Para o mar Jesus havia enviado uma legião de porcos animais impuros como o mar possuídos de demônios, assim como a legião de romanos. Pedro, a pedra, representa aquele que tem pouca fé e vacila no caminho. A mão de Deus, Jesus, o segura nas dificuldades e amaina o vento forte que vem do mar. A barca é o lugar seguro, apesar do mar violento e perigoso. Aqui vale lembrar a música: “Se as águas do mar da vida quiserem te afundar, segura nas mãos de Deus e vai...”.
O sacerdote, assim como todo cristão, é chamado a enfrentar as dificuldades do “mar da vida”, a ter fé, apesar do medo. Caminhar sempre, professar a sua fé em Jesus, o Filho de Deus. E, assim como Jesus, buscar força na oração nos “montes” da vida.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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