Pás, carriolas, betoneiras e sacos de cimentos não estão sendo mais armazenados em pequenos cômodos de tijolos ou dentro das próprias construções, mas em contêineres. As estruturas, normalmente com 6 metros de comprimento, 2,4 de largura e 2,4 de altura, são feitas de aço puro, fechadas com até quatro cadeados grandes e funcionam como verdadeiros cofres contra furtos. Duas das empresas que locam os contêineres na cidade estão com quase cem unidades espalhadas em canteiros de obras e comemoram a alta demanda pelo aluguel, que custa R$ 300 por mês.
Vítima de furtos, o industrial aposentado Paulo Marques, 63, que constrói imóveis para vender, cansou de sofrer prejuízos. Depois de ser furtado oito vezes em duas obras no Residencial Palermo decidiu desembolsar R$ 300 para pagar o aluguel de um contêiner. “Estou construindo essa casa há quatro meses e fui furtado quatro vezes somente aqui. Com o contêiner não me levaram nada ainda”, disse ele.Dentro do novo depósito os pedreiros colocam suas ferramentas, máquinas (como compressor e betoneira) e materiais, como cimento. Todos os dias, recolhem os objetos e trancam dentro do contêiner com três cadeados. “É um custo a mais na obra, mas não tivemos alternativa. Também emprestamos para os vizinhos que não têm condições de pagar pela locação.”
Em outro ponto da cidade, no Distrito Industrial, os objetos de cinco pedreiros que trabalham na construção de um barracão ficam protegidos pelo “cofre”. “É uma forma de ter segurança nas nossas coisas. Nas obras sempre some alguma ferramenta. Acho que o pessoal furta para poder comprar drogas”, disse João Teixeira, 48, pedreiro há cinco anos.
José Elias dos Santos, 67, é pedreiro há 40 anos e também já foi furtado nas construções em que trabalhou. Os ladrões levaram máquina de cortar ferro, martelos e pé de cabra. “Perdi as contas de quanto me roubaram, por isso acho o contêiner uma opção muito boa para proteger nossas ferramentas. A gente costuma construir um cômodo para guardar nossos objetos mas é arriscado porque os bandidos destroem as paredes de tijolo baiano com uma marretada só e levam o que tem”, disse ele.
José Elias e o companheiro de trabalho começaram a construir um imóvel no Residencial Amazonas em março. Chegaram num dia para iniciar os serviços e no outro o contêiner já estava ao lado do terreno para depositarem seus objetos e materiais. “O contêiner também tem um banheiro. É uma forma de se ter mais higiene porque temos um local adequado”, disse o pedreiro.
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