Comércio - O que levou o senhor a morar no prédio abandonado?
Paulo Ramalho - Eu fui contratado para fazer um serviço aqui. Tinha que fechar a entrada porque o prédio estava sendo ocupado por moradores de rua. Como era muito difícil fechar para ninguém entrar, eu pensei bem e achei que o espaço seria bom para eu trabalhar e tomar conta. Falei com o proprietário e ele acabou deixando eu vir para cá. Fizemos algumas adaptações e virou uma casa. Arrumos o básico que dá para a gente sobreviver. Graças a Deus, estou aqui há dez anos sem nenhum problema.
Comércio - Qual é a reação das pessoas quando o senhor diz que seu endereço é o esqueleto?
Paulo Ramalho - Dá minha parte não tem problemas. Nunca escondo que moro aqui, mas há um certo preconceito. Já ocorreu de eu comprar uma mercadoria e o entregador voltar para trás sem tocar a campainha. Vivo bem com a minha família aqui. Trabalhamos e somos honestos. É lógico que todos sonham com uma coisa melhor, mas enquanto o melhor não chega vamos continuar lutando dentro das possibilidades.
Comércio - Qual é o seu sonho?
Paulo Ramalho - Meu sonho é cantar. É o que gosto, o que tenho prazer de fazer. Infelizmente, até hoje ainda não conseguimos chegar lá. Já tive outras duas duplas, mas não deu certo. Agora, estou com o Gabriel. Parece que a dupla deu certo, não só com as vozes, mas também como pessoas. A gente se dá muito bem. Vamos continuar lutando e ver se é possível conseguir alguma coisa. Não vou desanimar. Dizem que o sol brilha para todos e não vou perder a esperança.
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