Maus-tratos contra menores crescem e lotam abrigo


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O Recanto Samaritano, que atende crianças de zero a 17 anos vítimas de maus-tratos e violência, está lotado. Na semana passada, o local abrigava 58 menores. Sua capacidade máxima é para 54. A situação já esteve pior. Em meados de julho, 63 crianças estavam internadas. Não há dados oficiais que expliquem as razões do aumento de crianças encaminhadas, mas, segundo o Conselho Tutelar, a lotação é reflexo do aumento de casos envolvendo o uso de drogas pelos pais e da violência contra menores.

Para conseguir abrigar tantas crianças, a administração do Recanto tem sido obrigada a improvisar. “Compramos colchões e cobertores novos. Também conversamos com os profissionais para que a qualidade do atendimento seja mantida. Mesmo assim, sempre que recebemos mais crianças fica complicado, mas não faltam comida, abrigo e atenção”, disse Ana Paula Ribeiro, administradora e guardiã dos menores.

Formado por um conjunto de oito casas, onde as crianças e adolescentes são cuidados por uma mãe social e têm uma rotina parecida com a de um lar comum, o Recanto Samaritano é mantido pela Prefeitura de Franca e pela Associação Assistencial Presbiteriana Bom Samaritano. O espaço existe desde 2008.

Roberto Nunes Rocha, secretário municipal de Ação Social, disse que o problema da lotação do Recanto Samaritano não é novo. “Fazemos o acompanhamento das atividades e, há mais de seis meses, percebemos que o número de encaminhamentos judiciais de menores para o Recanto tem crescido muito. Estamos trabalhando, sim, acima de nossa capacidade ideal.”

Para o conselheiro tutelar Ilton Sérgio Ferreira, o aumento nos casos de encaminhamento está diretamente ligado ao crescimento da violência na cidade. “Sempre que há uma denúncia de maus-tratos ou agressão, vamos verificar. Se comprovamos o fato, encaminhamos o caso para o Juizado da Infância e Juventude. É o juiz, com o apoio do Ministério Público, quem decide se há ou não a necessidade de internação. O que percebemos é que houve um aumento dos casos de negligência e violência contra menores por conta do envolvimento dos pais com drogas.”

Por conta dos encaminhamentos cada vez mais frequentes, o secretário municipal de Ação Social disse que a Prefeitura estuda a possibilidade de ampliar o Recanto Samaritano para que mais menores possam ser atendidos. “Esse não é um processo simples. Estamos estudando a melhor forma de fazer essa ampliação e os custos que ela acarretaria. A única certeza que temos é de que ela é necessária e urgente.”

Ana Paula Ribeiro disse que há espaço no atual Recanto para ampliações, mas que, além das construções, é preciso pensar em aumentar o número de profissionais. “Enquanto essa ampliação não acontece, o que temos feito é garantir que nem um menor em situação de risco deixe de ser atendido. Mesmo improvisando, recebemos todos os que precisam ser retirado da casa de seus pais. O bem-estar do menor tem que vir sempre em primeiro lugar.”

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