Quando a solidão me assalta
Em meio à multidão
Deixo a cidade grande
Vou rever o meu sertão
Vou beber da natureza
De um jeito simples de existir
Contemplar sua beleza
No voo da juriti
E lá apanhar manga no pé
Saborear lambuzando a boca
Tomar um gole de café
Dar um tempo nessa vida louca
Sob a sombra da mangueira
Cochilar ao som dos ventos
E passar a tarde inteira
Fazendo as pazes com o tempo
Longe das ruas, das loucuras
Do que chamam civilização
Minha alma é a mais pura
Fala mais alto o coração
E lá apanhar manga no pé
Saborear lambuzando a boca
Tomar um gole de café
Dar um tempo nessa vida louca
Chuva fina no terreiro
Criação lá no curral
Sinfonia de gorjeios
Da sabiá no meu quintal
Prosa boa de 'cumpade'
Tudo isso agora é meu
Moro na simplicidade
Durmo nos braços de Deus.
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