O governo federal lançou nesta terça-feira, 2, um pacote de medidas que promete dar novo fôlego à indústria calçadista, que sofre com a competição com produtos asiáticos e a baixa do dólar. O Plano “Brasil Maior”, apresentado pela presidente Dilma Rousseff (PT) e sua equipe ontem, prevê três medidas principais que beneficiarão os calçadistas: a desoneração da folha de pagamento; a implantação do sistema “Reintegra” para geração de créditos para exportação - que serão devolvidos em dinheiro, em sistema parecido com a restituição do imposto de renda - e melhorar a defesa comercial, que promete intensificar ações antidumping e combater a falsificação de declarações de origem dos produtos que entram no País.
O presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Milton Cardoso, acredita que as medidas possam gerar uma economia acima de 40% na produção de calçados, mas os francanos preferem ser mais cautelosos e esperar para ver como as medidas serão aplicadas na prática.
As indústrias calçadistas empregam 26 mil funcionários em Franca. Cerca de quatro milhões de pares de calçados fabricados no município são vendidos para outros países. O volume de exportação representa entre 10% e 15% da produção. O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, disse que prefere aguardar para emitir opinião sobre as propostas do Plano “Brasil Maior”. “Não tenho opinião formada ainda porque preciso avaliar o plano em detalhes e ver na prática como será aplicado.”
A expectativa de Brigagão é que as medidas sejam suficientes para compensar os desgastes sofridos pelo setor com a desvalorização do dólar. A moeda americana chegou a ser cotada a R$ 1,53, o menor valor dos últimos doze anos. A queda tem prejudicado as exportações. “Se continuar baixando como está, as desonerações concedidas pelo governo não serão suficientes... Não temos problemas apenas com a folha de pagamentos. A grande dificuldade é a carga tributária e a demora na devolução dos impostos pelo governo, que chega a anos”, disse ele.
O presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, estava viajando ontem, mas em matéria divulgada pela assessoria de imprensa, avaliou de maneira positiva as medidas do governo federal. Segundo Milton - que durante a Francal deste ano fez duras críticas ao governo federal, que não estaria atendendo às reivindicações do setor - o programa atende reivindicações da associação e representará economia aos fabricantes. “A presidente Dilma Rousseff demonstrou comprometimento com a indústria e entendimento da necessidade da defesa contra o ataque das importações. Ela deixou claro também que estas medidas se aprofundarão ainda mais num futuro próximo”, disse.
Uma das ações ressaltadas por Milton Cardoso foi o reforço da defesa comercial no País, que propõe quadruplicar o número de investigadores do Decom (Departamento de Comércio Exterior), passando de 30 para 120 funcionários. O objetivo é evitar a triangulação das importações. Para ficarem livres das sobretaxas impostas pelo governo brasileiro, produtos da China, por exemplo, têm sido introduzidos no Brasil como se fossem de outros locais.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.