Quase quatro meses depois de realizar seu concurso público e seu processo seletivo, a Prefeitura de São José da Bela Vista terá de se explicar ao Ministério Público, que questiona a lisura do processo. Uma denúncia que chegou à promotoria dá conta de que teria havido várias irregularidades no processo. Os problemas, segundo o MP, teriam começado na aplicação das provas e se estendido até a divulgação do gabarito. Para completar, a empresa Dipallis Assessoria Contábil e Cursos Ltda contratada para realizar o concurso não entregou os resultados até hoje.
O promotor de Justiça Paulo Borges oficiou a prefeitura no dia 25 de julho requerendo cópias do edital e das provas. O município tem até sexta-feira, 5 de agosto, para responder. De acordo com Borges, a pessoa que fez a denúncia levantou questões sobre possível plágio - mas não mencionou de onde - e sobre perguntas mal elaboradas, além de reclamar de que os pacotes das provas estavam violados antes de sua distribuição. Sobre o gabarito, a denúncia foi de que a correção teria sido feita à mão.
Sem revelar o nome do candidato, Borges disse que espera uma resposta da prefeitura. “Queremos cópias das provas. Vamos avaliar toda a documentação para ver se encontramos alguma irregularidade e com certeza vamos ouvir a empresa”. Quanto à abertura de inquérito, ele disse que irá decidir depois.
Mais de 340 candidatos concorreram a uma das 43 vagas abertas nas áreas da saúde, educação e social, além da formação de cadastro reserva. As provas foram realizadas nos dias 9 e 10 de abril e, até hoje, apenas o gabarito foi divulgado. Ainda assim, o primeiro deles precisou ser retificado após recursos de candidatos (confira quadro acima).
Procurada, a prefeitura alega que contratou a Dipallis em processo licitatório. O advogado do município, Washington Karan, disse que o resultado das provas foi cobrado inúmeras vezes do responsável. Ele confirmou ter recebido o ofício da promotoria, mas disse desconhecer o teor das denúncias. “Pedimos explicações da empresa sobre o atraso do resultado e o prazo que demos a ela vence hoje”, disse Karan.
A reportagem entrou em contato com a Dipallis na tarde de ontem, mas o responsável não estava. Uma pessoa que se identificou como Isadora disse que apenas a proaprietária, de nome Esilene, poderia responder. A funcionária também não forneceu outros contatos de telefone.
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