O cotidiano nos envolve de forma intensa. Vamos tocando a vida com pressa e nem percebemos as mudanças que aos poucos vão transformando a paisagem urbana que nos envolve. Porém, se pararmos um pouco e olharmos atentamente para as transformações experimentadas pela cidade nas últimas décadas, talvez nos assustemos.
A despeito das crises que regularmente acometem nossa principal indústria, Franca cresceu e diversificou sua economia. Aos poucos, foi se transformando em um centro regional de serviços atendendo não apenas as cidades de sua região administrativa, mas também muitas outras do sul de Minas Gerais. Em paralelo a esse desenvolvimento, sofisticou sua vida noturna e atraiu novos empreendimentos, vem tornando-se uma cidade mais cosmopolita e menos provinciana.
Como resultado de todo esse processo, muitas oportunidades surgiram e várias frentes de trabalho foram abertas. Franca tornou-se mais atrativa e recebeu vários migrantes, o que foi aos poucos transformando sua paisagem urbana. A cidade que até então era bastante horizontalizada, começou a experimentar a verticalização, fenômeno comum em qualquer centro urbano de médio porte que passa por esse processo.
Matéria publicada pelo Comércio na quarta-feira, 27/07, mostra que o número de apartamentos na cidade cresceu quase 100% nos últimos 10 anos, de acordo com o Censo do IBGE.
Em parte, podemos dizer que esse processo é inevitável e muito positivo. Inevitável porque uma cidade não pode crescer indefinidamente na forma horizontal, uma vez que a prestação dos serviços públicos indispensáveis seria cada vez mais cara e complexa, em função das distâncias. Positivo porque mostra o potencial de Franca e a tendência de crescimento de sua economia, o que garante a sobrevivência e melhora a qualidade de vida das pessoas que aqui vivem.
Porém, há que se tomar muito cuidado com essas transformações. Se não forem muito bem planejadas, poderão trazer mais dor de cabeça do que benefícios. As grandes metrópoles brasileiras que o digam. Oriundas de um processo de urbanização rápido, caótico e mal planejado, estão aí para nos alertar em relação a esses problemas.
Se olharmos hoje para a cidade de Franca, já podemos perceber sérios problemas em sua infraestrutura. Para citar alguns, podemos nos restringir ao trânsito e aos pontos de alagamento.
Ao verticalizar a cidade, concentramos mais pessoas em um mesmo espaço territorial, o que em tese diminui a mobilidade de todos, gerando transtornos e estresse. Ao mesmo tempo, esses grandes empreendimentos vão também diminuindo os espaços sem asfalto ou calçamento, importantes para a absorção das águas pluviais.
A Prefeitura diz que analisa o impacto ambiental de todos os novos empreendimentos. Tomara. De qualquer forma, a julgar pelo histórico do planejamento urbano brasileiro, não custa nada ficar atento.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.