O milagre da partilha


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Reunidos na celebração eucarística deste 18º Domingo do Tempo Comum ouviremos, pela Palavra de Deus, sobre o milagre da partilha dos bens e do amor de Deus

As leituras de hoje testemunham o amor de Deus e a esperança de um mundo novo. O profeta Isaías, de um lado, e Paulo, do outro, são unânimes, em testemunhar o amor de Deus. Quem tem fome vai comer sem pagar. Em Cristo Jesus, nada nos separará do amor de Deus. Ele, o Filho de Deus, passa pelo mundo curando os abatidos pelo desânimo e pelo sofrimento, ensinando a partilha, a divisão dos bens. Multiplicar cinco pães e dois peixe, mais do que um ato mágico, é sinal evidente de que, onde há partilha, ninguém passa necessidade.

PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura é do livro do profeta Isaías. O convite feito pelo profeta que surge do meio do povo é destinado a um povo sofrido. As lideranças do povo de Deus viviam exiladas na Babilônia, atual Iraque.
Sabedor das dificuldades, o profeta alimentava no povo a esperança de um novo tempo. A solução, profetizava, está em Ciro, rei da Pérsia. Ele seria o instrumento de Deus para libertar o seu povo da dominação babilônica.
Este projeto era real. Ciro seria a salvação do seu povo. E foi nesse contexto que ele sonhou alto: “Todos que tendes sede, vinde à água. Vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; comprai, sem dinheiro e sem pagar, vinho e leite.”
Não tardou muito e a libertação chegou. O povo voltou para sua pátria, Israel, e recomeçou a vida com novos projetos. O sonho alimentou a esperança. As palavras da leitura de hoje não se referem somente à forma e à sede materiais. Referem-se à fome, e à sede de felicidade, de justiça, de fraternidade, de amor, de paz.
O desejo destes bens é muito mais forte do que pode ser o desejo de belas iguarias e bebidas. Muitas vezes não conseguimos matar nossa fome interior, pois, com ansiedade procuramos saciá-la com coisas passageiras. O banquete que sacia para sempre é a experiência plena da graça de Deus na vida de quem procura se alimentar do próprio Deus.

SEGUNDA LEITURA
Na segunda leitura, ao escrever aos Romanos o apóstolo Paulo relata que sentiu na própria carne a experiência de muitas contrariedades. Ele concluiu que a todos os cristãos cabe enfrentar momentos difíceis na vida, mas que estes momentos não expressam o abandono de Cristo. O Filho de Deus não está ausente de nossa vida.
Por causa das dificuldades da situação social, econômica e política, na qual vivem muitos dentre nós, sempre é iminente a tentação de escolher uma vida contrária aos princípios do Evangelho. O apóstolo Paulo nos ensina que “nada nos pode separar do amor de Deus e de Cristo”. A salvação é um dom gratuito de Deus para a humanidade.
Todos devemos ficar atentos a acontecimentos ou situações dentro da nossa vida, pois somos sempre tentados a afastar nosso caminho de Deus. Quando tudo corre bem, pode-se cair na tentação de dispensar Deus, porque já temos tudo o que desejamos. Mas sobretudo são contrariedades, os trabalhos penosos, os contratempos, as desventuras que nos levam ao desânimo e que tentam nos separar do amor de Deus e de Cristo.

EVANGELHO
Para completar esse pensamento, o trecho do evangelho oferece uma significativa reflexão: Jesus entra no deserto, seguido por uma imensa multidão de pessoas. A vida no deserto serviu para educar Israel. Lá, privado de qualquer segurança humana, este povo aprendeu a confiar somente em Deus.
Movido de compaixão pela multidão, Jesus cura os doentes. O povo não quer ir embora e os discípulos demonstram preocupação com a fome do povo. Jesus ordena dar-lhes de comer. Mas como, se eles tinham somente cinco pães e dois peixes? Jesus, então, fez a multidão se assentar na grama e abençoou os pães e peixes, que se transformaram em tantos outros e alimentaram cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. E ainda sobraram doze cestos de pedaços.
A multiplicação dos pães quer nos ensinar que, se partilhamos, ninguém mais vai ter necessidade. Nisso reside o milagre. A comunidade é chamada a não ficar parada, mas ir além. Deus não quer a pobreza, mas a igualdade social. Um dos grandes males que assolam o ser humano é o desejo incontrolável de ter para guardar e ostentar o poder da posse. A felicidade não está no ter, mas no ser e nas relações. O livro do Eclesiastes nos ensina que felicidade é comer e beber, desfrutando do produto do próprio trabalho.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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