Domésticas ganham mais e chegam a ter suas próprias empregadas


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AJUDA - Auxiliar de limpeza em uma construtora, Maria das Graças Marangoni Campos paga uma funcionária doméstica para limpar, lavar e passar em sua residência diariamente
AJUDA - Auxiliar de limpeza em uma construtora, Maria das Graças Marangoni Campos paga uma funcionária doméstica para limpar, lavar e passar em sua residência diariamente

Um levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) revelou que as empregadas domésticas, auxilares de limpeza e diaristas tiveram aumento salarial acima da média da população. Entre 2002 e 2011 o rendimento individual evoluiu 43,5%, enquanto os salários dos brasileiros aumentaram em média 25% no mesmo período. Um dos reflexos desse aumento é uma situação curiosa. Para evitar a dupla jornada de trabalho - na casa dos outros e delas próprias -, algumas passaram a contratar suas próprias ajudantes.

A maioria dos que trabalham na área da limpeza tem rotina puxada. Os que têm registro em carteira recebem salário médio de R$ 700. Paula Donizete da Silva trabalha há nove anos como doméstica em uma residência no bairro da Estação. Após um dia intenso de serviço - depois de limpar, lavar, passar, cozinhar - ela chega em casa exausta e se depara com mais serviços domésticos pela frente. “Trabalho de segunda a sábado, chego depois das 19 horas e ainda encontro muita coisa para fazer. Além disso, tenho uma filha de 14 anos, que preciso ajudar com as lições de casa. Não dá para começar uma segunda faxina no dia”, disse.

Para ajudar nos afazeres do lar, ela contrata todos os meses uma faxineira particular. “Pago cerca de R$ 50 por dia para ela dar uma boa limpada em tudo pelo menos uma vez por semana. Enquanto isso, não fico parada não, lavo e passo toda a nossa roupa”, conta.

Auxiliar de limpeza em uma construtora, Maria das Graças Marangoni Campos também paga uma funcionária para limpar, lavar e passar em sua residência todos os dias. “Nossa profissão é necessária e está cada vez mais valorizada. Não conseguiria ficar em casa sem trabalhar então preferi ficar fora e pedir ajuda de uma funcionária”, disse. Ela afirma que trabalha das 7 as 17h30 e paga um salário de R$ 545 por mês para ter a casa limpa.

Com mais dinheiro no bolso elas já podem até selecionar os patrões. A empregada doméstica Maria Sirlene da Silva trabalhou por vinte anos para um só patrão. Passou um ano e meio descansando da profissão, mas há um mês voltou ao batente. Está trabalhando como secretária do lar na casa do prefeito Sidnei Rocha (PSDB). “Recebi várias propostas neste tempo que fiquei parada, mas recusei. Agora escolhi voltar”, disse. Com uma rotina de trabalho de oito horas por dia e sem tempo para cuidar das tarefas de casa, ela diz que sempre que precisa de um socorro doméstico paga cerca de R$ 60 para sua sobrinha fazer uma boa faxina em sua casa. “Vale a pena porque a gente chega em casa cansada. Moramos em quatro pessoas e apesar de ser tudo organizado a manutenção diária é difícil. Toda dona de casa sabe, a gente custa dar conta dos filhos, da comida, de lavar e passar”, disse.

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