‘O futuro a Deus pertence’, afirma João Paulo Limírio, preso desde abril


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MAIS FALANTE - João Paulo Limírio cresceu no Jardim Aeroporto e diz que não tinha amizade com Leonardo Engler Pugliesi
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João Paulo Limírio, de 25 anos, tem passagem pela polícia por furto e responde a três processos na Justiça Criminal de Franca. Depois de ser preso dirigindo um Vectra furtado em uma das casas assaltadas no Residencial Paraíso, no feriado de Páscoa, João Paulo foi reconhecido pelos policiais como sendo um dos rapazes que aparecem num vídeo feito em uma loja de Ribeirão Preto em que Leonardo Engler Pugliesi aparece fazendo compras com amigos e pagando com um cartão furtado de uma casa no Centro de Franca.

Nascido e criado no Jardim Aeroporto, João é conhecido na vizinhança onde mora como um rapaz simpático e extrovertido. Quando ainda estava livre, João passava os dias no minimercado que funciona na esquina da rua de sua casa sentado em uma cadeira de plástico. Sempre ao celular.

Tinha muitas admiradoras, mas nenhuma namorada fixa. Segundo os vizinhos, apesar de ele não trabalhar e de sua mãe ser empregada doméstica, desde o início da adolescência, João costumava se vestir com roupas de marca e tênis importado. Era muito vaidoso e estava sempre bem arrumado. Saia à noite todo fim de semana. Normalmente, seus amigos o vinham buscar de carro zero ou até de táxi.

Hoje ele divide a cela no CDP de Franca com mais 11 pessoas. Na prisão, voltou a estudar (ele parou no 1º ano do ensino médio) e recebeu o apelido de “Estrela”, por conta da repercussão do caso e de seu perfil em um site de relacionamento. Veja os principais pontos da entrevista que ele concedeu ao Comércio. A condição imposta por seu advogado para que a entrevista fosse concedida é que não fossem abordados nem os antecedentes criminais nem os processos a que João Paulo responde na Justiça.

Comércio da Franca - E como é sua vida dentro da prisão?
João Paulo Limírio -
É tranquila, na medida do possível. Igual a dos outros presos. Aqui a gente tem segurança 24 horas e não corre o risco de ser roubado. Sofrer? A gente sofre quando atravessa os muros e entra aqui. O pessoal já até avisa para esquecer a família lá fora.

Comércio - E sua mãe? Ela tem vindo te visitar?
João Paulo -
Ela só veio me visitar duas vezes até hoje. Minha família está passando necessidade. Quando eu estava na rua, ajudava minha mãe. Tenho mais três irmãs e minha vó que está doente e mora com a gente. A vida delas dependia de mim e da minha mãe. Agora minha mãe está sozinha. Está meio complicado para ela.

Comércio - Com o que você trabalhava?
João Paulo -
Eu era ajudante de um senhor que mora na rua da minha casa, que é caminhoneiro. Ele fazia mudança e frete e eu ajudava ele.

Comércio - Você conhece o Rafael Rodrigo Rossin? De onde?
João Paulo -
Conheci ele há muito tempo atrás. Eu tinha amizade com o irmão dele, que conheci jogando bola na rua há uns dez anos. Depois, há uns cinco anos, que peguei mais amizade com o Rafael.

Comércio - E como é a relação de vocês? O que você chama de “pegar amizade”?
João Paulo -
Era muito boa. Ele era meu amigo. Meu melhor amigo era ele. É ele até agora. A gente estava sempre juntos. Quando tinha dinheiro, a gente saia junto. Mesmo quando não tinha, a gente ‘tava’ junto. A gente fazia churrasquinho em casa.

Comércio - E sua relação com o Leonardo Engler Pugliesi qual é?
João Paulo -
Eu conheci o Leonardo através do irmão dele, o Thiago, mas não tinha muita afinidade com ele não. A gente saiu junto umas cinco vezes mais ou menos.

Comércio - Não tinha afinidade, mas a polícia divulgou um vídeo em que você aparece fazendo compras junto com o Leonardo em Ribeirão Preto. Neste dia, ele, inclusive, teria utilizado o cartão roubado de uma das vítimas da gangue dos playboys...
João Paulo -
A gente foi mesmo em Ribeirão fazer umas compras, mas com o meu dinheiro. Ninguém sabia de nada que era roubado. Eu já tinha ouvido uns comentários sobre o Leonardo...

Comércio - Se você já sabia que o Leonardo poderia estar envolvido com crimes, por que aceitou viajar com ele?
João Paulo -
Eu não estava andando com ele. Eu era amigo do irmão dele e ele nunca foi de fazer isso. Eu conheci o Thiago nos barzinhos atrás da Unifran e agora tá (sic) acontecendo isso aí (de ser acusado de participar de uma gangue de playboys assaltantes).

Comércio - E como você vê o ‘isso aí’ que está acontecendo?
João Paulo -
É calúnia, muita mentira envolvida.

Comércio - Como você acha que vai ser seu futuro?
João Paulo -
O futuro a Deus pertence. A gente nunca sabe como vai ser.

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