Miquéias Perente Castro, 24 anos, é dono de uma banca de pesponto no Jardim Ângela Rosa. Ao lado de três funcionários, costura 60 pares de calçados por dia. Trabalha das 7 às 17 horas e nos momentos livres se debruça sobre os dois instrumentos que toca: flauta e saxofone (ele também sabe tocar clarinete). Miquéias quer ampliar sua ligação com a música. O plano dele é se tornar um educador musical para tirar seu sustento dessa profissão. Os primeiros passos ele já deu. Estuda pedagogia em Franca e faz um curso no Conservatório Musical em Ribeirão. Além de pespontador, é professor numa escola de música particular. Miquéias ainda toca saxofone em casamentos e cobra R$ 150 por evento.
Assim como o irmão Matheus, também músico da Orquestra, percebeu o gosto pela música ao ver as apresentações da banda na Igreja Assembleia de Deus, onde toca até hoje. Quando decidiu arriscar as primeiras notas, aos 12 anos, pediu ao pai que lhe comprasse um saxofone. Na dúvida se o filho realmente tinha vocação, o pai comprou um instrumento parecido, que custa menos. “Ganhei um clarinete e depois meu pai viu que realmente eu gostava e me deu um saxofone. Em 2006 comprei uma flauta transversal por R$ 960 e toco com ela na Orquestra onde estou desde que foi fundada”, disse. “A música acaba sendo uma terapia porque naquele momento você vive o que realmente gosta de fazer. Pudera ser o dia todo.”
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