Cinco jovens e um sonho


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Concerto da Orquestra Sinfônica de Franca durane o aniversário da cidade
Concerto da Orquestra Sinfônica de Franca durane o aniversário da cidade

O vidraceiro Welderson Silva Pereira, 20, passa o dia em meio a placas de vidro e espelhos e à noite troca o barulho irritante da máquina de cortá-los pela melodia do clarinete. O motorista de van Mateus Perente Castro, 29, esquece as buzinas e o estresse do trânsito para curtir o forte som do trombone de vara. O pedreiro Habner de Souza Melo, 24, repousa as enxadas, pás e carriola para tocar trompete. O pespontador Miquéias Perente Castro, 24, desliga as máquinas de costura para conduzir as notas em sua flauta. O adestrador Adoniran Tomaz, 40, o Dino, treina os cães durante o dia e nas horas livres domina o trompete.

Os cinco músicos estão entre os 28 integrantes da Orquestra Sinfônica de Franca e ajudam a dar vida às melodias apresentadas nos concertos musicais. Entre os cinco, apenas Dino vem de uma família de músicos. Welderson, Habner e os irmãos Mateus e Miquéias se apaixonaram pela atividade ao assistir a apresentações das orquestras nas igrejas. Todos foram convidados para integrar a Orquestra Sinfônica e, após serem aprovados nos testes, mergulharam com prazer no mundo da música clássica.

Eles são autodidatas. Arriscaram e, depois de incontáveis erros e acertos, aprenderam a tocar os instrumentos sozinhos. Mas saber tocá-los não basta. É preciso aprimorar sempre. Os estudos e treinos são diários. Além disso, os ensaios da orquestra exigem que deixem outros afazeres, duas vezes por semana, por duas horas, para se dedicarem somente aos instrumentos. “Eles são muito talentosos. Tenho uma admiração muito grande por eles todos e, a cada dia que passa, percebo que estão mais desenvoltos”, disse o maestro titular e diretor artístico Nazir Bittar, que, diferente de seus comandados, teve o privilégio de aprender música em escolas renomadas no Brasil e na Europa. Nazir estudou na Alemanha e Inglaterra.

Os músicos costumam apresentar concertos em Franca e em outras cidades. O talento da Orquestra Sinfônica já emocionou públicos ao levar o repertório com Dança Húngara nº 5, de Brahms; The Pink Panther (A Pantera Cor-de-Rosa), de Henry Mancini e Oboe de Gabriel, de Morricone, para o Teatro Municipal, Catedral, praças e centros comunitários. O vidraceiro Welderson se recorda da primeira apresentação de que participou junto com a orquestra. “Nós nos apresentamos na Concha Acústica, no Centro da cidade. Foi maravilhoso. Tive medo do palco no começo, mas ver o público aplaudindo nosso trabalho foi muito bom e gratificante.”

Os jovens sonham mudar de profissão. Querem aposentar suas ferramentas de trabalho para viver exclusivamente da música. Hoje tanta dedicação é apenas pelo amor à arte. Eles não recebem para tocar. A Prefeitura oferece ajuda de custo para os 28 músicos da orquestra, mas o valor não garante o sustento de suas famílias. “O dinheiro é para que paguem gastos como o combustível que usam. E em contrapartida à ajuda de custo, assumimos a apresentação gratuita de dez concertos por ano na cidade, sem cobrar”, disse Nazir.

O maestro se dedica para que a Orquestra de Franca se profissionalize e o sonho dos músicos se torne realidade. “Os jovens entrevistados são músicos pelo talento, dedicação, garra e amor à arte, mas por contingências estão em outras profissões até que a música invada totalmente a realidade cotidiana deles. A orquestra vai se profissionalizar e eles então poderão dedicar-se exclusivamente à verdadeira profissão que sempre esteve latente em suas histórias, aguardando como uma crisálida o momento para alçar vôo.” A Orquestra Sinfônica de Franca existe desde agosto de 2007 e é regida pelo maestro Nazir Bittar há três anos e três meses. A Associação Cultural da Região da Alto Mogiana é mantenedora do grupo.

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