A trajetória de fé e devoção do novo padre pop Robson de Oliveira


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PADRE DAS MULTIDÕES - O padre Robson de Oliveira atraiu 15 mil pessoas em São Joaquim na terça-feira; ele virá a Franca em setembro, no Hallel
PADRE DAS MULTIDÕES - O padre Robson de Oliveira atraiu 15 mil pessoas em São Joaquim na terça-feira; ele virá a Franca em setembro, no Hallel

Por onde passa, ele tem arrastado uma multidão de fiéis. Novo fenômeno da Igreja Católica, padre Robson de Oliveira é membro da Congregação dos Missionários Redentoristas e reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade, no Estado de Goiás. Ele se tornou padre aos 24 anos (hoje ele tem 37) ficou conhecido ao divulgar em nível nacional, pela Rede Vida, a Novena dos Filhos do Pai Eterno.

A atuação do padre levou para Trindade um número ainda maior de devotos do Pai Eterno. Desde o ano passado, padre Robson resolveu ser ainda mais ousado na evangelização e começou a percorrer o País para realizar missas com a imagem peregrina do Divino Pai Eterno. O resultado foi uma explosão ainda maior da fé e admiração pelo sacerdote goiano. Moças e senhoras carregam nas mãos fotos e CDs do religioso e não conseguem esconder a adoração que sentem pelo padre. Mais de 70 cidades já foram visitadas.

No começo do mês, ele lotou a arena da festa de peão mais famosa do País, a de Barretos, para o encerramento da Festa do Divino Espírito Santo. Nesta última semana esteve em São Joaquim da Barra para comemorar o dia do padroeiro da cidade. A missa na terça-feira à noite, no recinto da Festa da Soja, teve um público superior ao esperado pela organização (15 mil pessoas) e provou mais uma vez como padre Robson é querido. Bastou ele aparecer no altar para os fiéis invocarem um grande grito de saudação.

Com uma centena de artigos publicados sobre temas diversos e orientando para a vida ética e cristã, o padre busca a cada celebração mostrar que não é um artista nem galã. Diferente de outros padres populares, ele não é músico e disse que só gravou um CD a pedido dos fiéis, mas fez questão que fosse acompanhado por uma banda. “Ainda não me rendi à música.”

Nesta entrevista feita após a missa celebrada em São Joaquim da Barra, padre Robson falou sobre a devoção ao Divino Pai Eterno, o crescimento do turismo religioso em Trindade, de como recebeu o convite para ser reitor do santuário da cidade e de sua relação com o local. Também disse que procura sempre dizer palavras de consolo e que não se sente vaidoso.


Comércio da Franca - De onde vem a devoção ao Divino Pai Eterno e como explicar sua popularidade?
Padre Robson de Oliveira -
A devoção nasceu no meio do povo. Nasceu da história de vida de um casal chamado Constantino e Ana Rosa que, em 1840, encontrou um medalhão enquanto trabalhava na lavoura. Foi um casal mineiro que encontrou em terras goianas esse medalhão (na cidade de Trindade, local onde foi erguido o Santuário Divino Pai Eterno). A devoção foi por si só, tomando corpo na medida em que as pessoas buscavam a Deus, buscavam na oração o fundamento para sua vida, a força para a vida. A devoção passou de forma oral para as famílias e as pessoas foram se aglomerando naquele lugar, milagres foram acontecendo e testemunhos foram sendo dados. Agora, com o advento da comunicação, principalmente da televisão e do rádio, nós temos a oportunidade de mostrar isso para mais pessoas. Hoje, os microfones das rádios e TVs são os grandes púlpitos para a pregação. Eu, simplesmente, sou uma pessoa que reflete o Pai Eterno, que reflete sobre a devoção ao Divino Pai Eterno. Um instrumento de Deus somente. As pessoas têm esse carinho por isso. Porque conheceram esse amor a partir de uma pessoa que apresentou esse amor para elas.

Comércio - Quando o senhor começou a fazer parte da história da devoção do Pai Eterno?
Padre Robson -
Faz oito anos já que eu estou à frente do Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade, no Estado de Goiás. Logo que entrei já pedi ao Vaticano o título de Basílica para ele. Depois, em 2005, começamos um trabalho de evangelização pelos meios de comunicação. Fizemos um trabalho de conscientização entre as pessoas, pois elas precisam ajudar no processo de evangelização. Cada um faz parte desse processo. As pessoas começaram a me ajudar, comprei os equipamentos e nós entramos nos meios de comunicação de forma muito ousada. Não foi um trabalho muito fácil. Foi em cima de muitas críticas, muitas pessoas falaram que não daria certo. Mas a ousadia da fé fez com que fosse um sucesso e esteja sendo um sucesso até hoje. Já tem quatro anos que faço programas e novenas em louvor ao Divino Pai Eterno em rede nacional.

Comércio - Como o senhor analisa o crescimento que houve principalmente nos últimos dois anos?
Padre Robson -
De um tempo para cá, tudo foi tomando um corpo. É um trabalho igual ao de uma formiguinha que vai montando a sua casa, o seu formigueiro e de repente todas começam a trabalhar juntas e aquilo ganha forma e todos começam a enxergar. Na verdade, essa explosão de fé das pessoas é que tem proporcionado o crescimento. Até hoje, nenhuma cidade, das 77 que visitei em dois anos, teve o público abaixo do esperado. Sempre superou, ficou acima daquilo que foi pré dito. E todo esse povo para rezar uma missa, para poder participar daquele mistério de sacramento que todos participam cotidianamente, se quiserem.

Comércio - O senhor se considera um padre famoso, pop?
Padre Robson -
Não. Me acho mais conhecido, mas tenho muito receio que a ideia de fama traga aquilo que temos de banir da nossa vida, o conceito maior de nós mesmos. É uma fama, mas não uma fama de mim mesmo e sim a partir do trabalho que realizo. Acredito que se Deus quiser que continue, bem. Caso contrário, ele vai colocar uma pessoa tão melhor quanto eu.

Comércio - É incômodo para um religioso dar autógrafos?
Padre Robson -
Não, não me incomodo de maneira nenhuma. Acho que as pessoas têm expressões as mais diversas para poder se aproximar daquela pessoa, daquela devoção, daquele que apresentou essa devoção. Não rejeito ninguém, nunca rejeitei ninguém e nenhum pedido que foi feito até hoje. Nunca dei bronca porque a pessoa veio para pedir autógrafo ou tirar foto. Nada disso. Eu entendo que é bom para a evangelização.

Comércio - O senhor tem viajado bastante com a imagem peregrina do Divino Pai Eterno. Como são escolhidas essas cidades ou o que as paróquias precisam fazer para recebê-lo em seus municípios?
Padre Robson -
As paróquias precisam entrar em contato conosco, com autorização do bispo local da Diocese ou Arquidiocese, e nós vamos tentar encontrar um momento adequado para fazer a visita e levar a imagem do Divino Pai Eterno. Nós já percorremos mais de 120 mil quilômetros ao longo desses dois anos e visitamos 77 cidades do Brasil e quero fazer muito mais. Nos próximos dias estarei em Pouso Alegre (MG), Jequié (BA), em agosto visitarei Marília (SP), Catalão (GO), Campo Grande (MS), além de outras cidades. No mês de setembro estarei em Franca participando do Hallel.

Comércio - Foi graças ao senhor que o Divino Pai Eterno se tornou mais conhecido no Brasil inteiro. Essa responsabilidade pesa? O senhor se sente mais vaidoso?
Padre Robson -
Me sinto um indigno servo de Deus. Não me sinto vaidoso e nem um pouco diferente diante dessa realidade. Acho que Deus utiliza as pessoas como instrumento, assim como faz comigo, faz com você e tantas outras pessoas. Acredito também que o dia em que Deus quiser passar à frente desse trabalho, ele vai passar. É um trabalho de fé e só aqueles que creem podem estar nele. Assim como eu, milhares de pessoas no Brasil estão comigo.

Comércio - Durante a celebração do centenário da Paróquia São Joaquim - realizada no último dia 26 de julho, em São Joaquim da Barra -, o senhor exaltou muito a figura dos avós. Como o padre vê o tratamento dado atualmente aos idosos?
Padre Robson -
Tenho um apreço muito grande pelas pessoas idosas, minha vocação se deve à oração tanto dos meus pais, como também dos meus avós. A minha vovó, que está com 93 anos, foi uma das pessoas que mais rezou por mim e até hoje reza pela minha perseverança. Nos idosos existem uma bagagem muito grande de vida que nós precisamos aprender. Se os jovens buscassem aprender mais com os idosos, eles seriam mais felizes e não fariam as burradas que eles já fizeram e não querem que nós façamos. Então eu tenho um apreço muito grande, amo muito os nossos idosos, rezo por eles constantemente.

Comércio - Como era sua trajetória antes de assumir o Santuário do Divino Pai Eterno?
Padre Robson -
Fui para a Irlanda estudar. Fiquei lá por quase um ano. Depois fui para Roma fazer Teologia Moral e, após esse trabalho, voltei para ser professor. Foi quando meu superior da época, que não é esse atual, me pediu para assumir o santuário. Naquela época o santuário estava pulando de reitor para reitor a cada seis meses, então o trabalho não vinha muito bem, por isso me pediram para que eu pudesse assumir. Diante do convite, perguntei se eu seria professor ou reitor: “Vai ser os dois, está bom para você?” Falei, agora aguenta. Dei aula por mais um tempo ainda e entrei nesse santuário que, até então, tinha só dois padres. Hoje já somos 16 padres cuidando de romarias que chegam do Brasil todo ali. É um trabalho muito bonito e que surgiu do acaso, não foi premeditado.

Comércio - É verdade que o senhor é adorado até por evangélicos?
Padre Robson -
Amado talvez, eles não podem adorar (risos). E nós também não (risos).

Comércio - O senhor nasceu em Trindade e tem revolucionado o turismo na cidade. Como o senhor é visto no município?
Padre Robson -
Eu tenho direito ao contraditório daquele provérbio que diz que o profeta não é bem quisto em sua terra. Sou muito amado em Trindade, me sinto muito bem quisto por todos ali. Temos as dificuldades que qualquer um tem, não seria diferente. Tenho sentido o respeito de todos os trindadenses e fora dali. Me sinto bem.

Comércio - O que as pessoas encontram no Santuário do Divino Pai Eterno em Trindade?
Padre Robson -
Encontram um lugar bem aconchegante, um lugar de oração. Também um lugar simples, com muita humildade. Encontram uma Matriz antiga, que foi erguida há cem anos, é o centenário também da Matriz velha do Divino Pai Eterno. Tem ainda a igreja do padre Pelágio (abriga os restos mortais do padre), o Carmelo do Santíssimo Redentor e a Vila São Bento Cottolengo. A vila é um lugar por excelência no tratamento de pessoas com deficiências múltiplas, sejam mentais ou físicas. Ali tem muitos ambientes onde as pessoas podem passar o dia e rezar bastante.

Comércio - Diferente de outros padres, o senhor se tornou conhecido por meio de uma novena e não por cantar, mas agora já gravou um CD. Podemos dizer que o padre Robson se rendeu à música?
Padre Robson -
Não me rendi, não. Eu não sou artista, fiz um CD porque era o momento de fazer. É uma expressão da fé do Divino Pai Eterno, que virou música e, inclusive, é cantada em conjunto. Não sou só eu, tem um grupo cantando comigo. Não me rendi à música no sentido da falar “agora sou cantor”. Isso não. Mas o que vier, virá.

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