O artigo do advogado Setímio Salerno Miguel a respeito da impunidade é realmente providencial, pois foi abordado exatamente no momento em que o Conselho Nacional de Justiça deliberou sobre a soltura de presos. Ou seja: de uma população carcerária de 170.000 presos só no Estado de São Paulo, sairão às ruas cerca de 11%, ou seja, 18.000 presos. Em breve teremos uma situação muito pior do que já temos, pois facínoras que matam por prazer, com requintes de crueldade, ladrões que matam para roubar, bandidos de toda espécie, traficantes, possivelmente pedófilos, etc., estarão convivendo com a população impunemente, e, claro, praticando mais e mais crimes. Realmente é disso que estávamos precisando, pois ao adotar tal ideologia o CNJ visou o esvaziamento das prisões sem se importar com a tão precária segurança do cidadão de bem, do trabalhador. Como se não bastasse o que já estamos sofrendo. No Brasil de hoje, tão cantado pela importância do seu futebol, há uma inversão de valores clara e persistente, pois não se constroem escolas, creches, hospitais, casas de repouso, presídios, etc. No entanto, se constroem cada vez mais estádios de futebol com a justificativa de que há necessidade do País ser bem representado no mundo através do futebol. É muito fácil prever os acontecimentos depois da soltura dos presos, ou seja, teremos uma população de ex-presidiários maior do que centenas de cidades do interior paulista, que, sem dúvida, estará “trabalhando” sem medo e certa de que há uma impunidade constitucional, ou seja, protegida por lei. Só nos resta rezar.
João Bittar Filho
Franca - SP
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