Viciados em crack ‘depenam’ casa da mãe no Pq. Vicente Leporace III


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DESESPERO - Dona Maria mostra o armário da cozinha vazio. Ela teve que retirar o que tinha e esconder embaixo de sua cama para que os filhos não roubassem o restante dos utensílios domésticos e alimentos para trocar por drogas
DESESPERO - Dona Maria mostra o armário da cozinha vazio. Ela teve que retirar o que tinha e esconder embaixo de sua cama para que os filhos não roubassem o restante dos utensílios domésticos e alimentos para trocar por drogas

Uma casa simples no Parque Vicente Leporace III, com vidros quebrados, móveis acorrentados e armários arrombados e vazios. Pelos cômodos da residência, não há objetos de decoração ou comida, apenas angústia. Esse é o lar da doméstica Maria Aparecida Lopes, 54, mãe de quatro filhos, dois deles viciados em crack.

Na tarde da última segunda-feira, a mulher simples, de fala ligeira, recebeu a reportagem do Comércio no jardim da casa onde trabalha em Franca. Ela se declara refém dos rapazes, de 31 e 22 anos. Segundo ela, os dois estão desempregados e obrigam os pais a sustentar a dependência química. Dona Maria e o marido, Nelson Lopes, assistiram a casa ser depenada aos poucos e chegaram a ser agredidos pelos filhos que ficam violentos quando não conseguem dinheiro para comprar drogas. Aflita, ela tem esperança que uma internação dê fim ao sofrimento da família e pede ajuda. “Quando estão limpos os dois pedem por isso. Eu já não aguento mais essa situação, eu não tenho paz, não durmo sossegada, saio de casa só para trabalhar. Vivo preocupada com eles. Do jeito que está indo, o final deles é a morte ou a cadeia e isso dói muito em mim”.

O drama da doméstica, que começou há cerca de cinco anos, se agravou no final do ano passado. Ela conta que em sua casa já não há nada de valor exposto. Os filhos já levaram roupas, celulares, microondas, panelas e até leite e peixe. “Eles estão acabando com tudo dentro de casa. Não tenho gosto de comprar mais nada. Carne eu tenho que comprar o que vou fazer na hora, se não eles vendem. Esses dias meu marido comprou dois litros de leite, quando eu cheguei do serviço eles haviam trocado tudo por droga”.

Segundo ela, o filho mais velho, que é casado há dez anos e pai de um casal de filhos de 8 e 12 anos, trabalhava como serralheiro. A família descobriu que ele estava viciado quando deixou de pagar as prestações da casa e já não tinha dinheiro nem para comprar comida. Os pais, que possuem uma edícula nos fundos da residência, abrigaram o filho, a nora e os netos.

As duas casas estão com poucos móveis. Uma janela e um vidro foram arrancados das paredes. Na geladeira só tem água. “Os armários da cozinha estão vazios. Pratos, talheres, louças, panelas, alimentos e produtos de limpeza ficam guardados no meu quarto. Escondo até as panelas e os utensílios de cozinha embaixo da cama para eles não levarem”, conta a mãe chorando.

No último sábado, as portas do guarda-roupa da edícula foram arrancadas pelo homem de 31 anos. Além de quebrar a casa e móveis, devido a abstinência, o homem pega cacos de vidro e se corta. A janela do quarto de dona Maria foi quebrada por eles para tentar entrar e pegar comida e objetos para trocar por droga. Ainda segundo a mãe, o filho mais velho fuma crack em casa (no banheiro e embaixo do tanque). A mãe disse que já pagou dívida de droga a traficantes que foram cobrar os filhos na porta de casa.

A mãe, que trabalha há 15 anos em uma residência de família, já pensou em fugir da cidade e em pedir na justiça que os filhos mantivessem 100 metros de distância da residência, mas segundo ela, o amor de mãe não a permite. “Eles são meus filhos. Estamos sofrendo, mas eu amo meus filhos. Quero o melhor para eles.”
 

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