As aulas voltam oficialmente hoje na rede estadual. No entanto, a realidade costuma ser bem diferente. Grande parte dos estudantes do ensino médio tem por hábito retornar às atividades somente no primeiro dia útil de agosto. Normalmente é nessa data que as demais redes de ensino retomam o ano letivo.
Já o aluno do ensino fundamental da rede estadual não conta com a regalia de escolher o dia apropriado para voltar às aulas. Devido pouca idade, a família ainda dita regras. Assim, manda a criança no primeiro dia de aula. Isso se deve ao cansaço provocado nos pais pela bagunça da criançada durante as férias ou por não ter com quem deixar o pequeno estudante.
Esse retorno antecipado das férias vai deixar de existir. Procurando evitar a discrepância de datas para início e término das aulas entre as redes de ensino, o Estado decretou recentemente um novo calendário escolar, a partir de 2012, mantendo os mesmos 200 dias letivos atuais.
De acordo com a nova regra, todo ano as aulas terão início no primeiro dia útil de fevereiro, terminando no final de junho. As férias de inverno serão durante o mês de julho inteiro. O segundo semestre começará no primeiro dia útil de agosto. O término do ano letivo está previsto para o último dia de novembro. Dezembro e janeiro ficam reservados para as férias de verão.
Esses três meses completos de férias valerão somente para os estudantes. Os professores passam a ter 15 dias de férias regulamentares em janeiro. Depois, mais 15, em julho. A última semana de janeiro fica reservada para atribuição de aulas e planejamento. Em julho ocorrerá cursos de aperfeiçoamento, com complementação em dezembro.
Estabelecer um calendário fixo para o ano letivo facilita a vida escolar de todos mas não tem influência na frequência. Aliás, outros regulamentos com objetivos de evitar a evasão tornaram-se responsáveis pela desistência do estudo. O direito de faltar o quanto quiser e a malfadada progressão continuada acabam deixando o aluno fora da escola.
Qual estudante vai ter assiduidade, sabendo que pode faltar durante o ano em até certa porcentagem? Com esse benefício, falta muito mais do que devia. Por fim, acostuma-se com a situação de folga. Quando resolve ir à escola, sente-se fora do contexto. Como consequência, abandona os estudos. Por sua parte, a progressão continuada aumenta a evasão escolar. O aluno começa a faltar sem motivo algum porque pensa que vai passar de ano mesmo. Quando toma pé da situação, percebe a bomba (a moderna pedagogia condena essa palavra, prefere retido ou classificado na mesma série!) justamente por faltas.
A justificativa oficial de que a evasão também se dá porque o estudante vai trabalhar, não convence. Trabalho não tira aluno da escola. Pelo contrário, gera assiduidade e provoca mais interesse pelos estudos.
Antônio Araújo
Professor de Redação - tonin.palavras@uol.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.