Edmo Johann dos Santos, 23, e Débora C. Garcia Ferreira, 29, não se conhecem, mas estão vivendo situação parecida: aguardam uma cirurgia eletiva na Santa Casa de Franca. Os dois já passaram pelos exames pré-operatórios e têm pressa na realização da cirurgia. Ele porque tem dificuldades para respirar em razão de uma adenoide. Ela porque está com miomas no útero, sofrendo com dores e sangramento. Não há um prazo para que os problemas deles sejam resolvidos. Sem o depósito de R$ 5 milhões anunciado pelo governo do Estado no início deste mês, a Santa Casa decidiu manter a suspensão das cirurgias eletivas e consultas, previstas para serem retomadas nesta semana.
A situação deixou Edmo apreensivo. O rapaz está na fila da cirurgia eletiva desde 2004, mas nos últimos seis meses conseguiu, finalmente, passar pelos exames pré-operatórios. Estava pronto para a internação no dia 24 de junho. Dois dias antes, ele recebeu um telefonema da Santa Casa suspendendo a cirurgia. “Fiquei decepcionado. Essa cirurgia é muito importante para mim. Sofro há anos com o problema e, justamente quando ia solucionar, acontece isso”, disse.
Por conta da adenoide, Edmo respira mal, dorme mal e deixou de fazer várias atividades comuns as de jovem da sua idade. “Meu caso é sério. Perco a respiração à noite, parece que estou sufocado. Também deixei de jogar futebol, esporte que eu tanto gosto porque não consigo correr. Além disso tudo, sonho em colocar aparelhos nos dentes, mas não adianta colocar antes de resolver o problema”, desabafou.
Débora também tem vivido um dilema. Ela descobriu vários miomas no útero há três anos. Depois de passar por muitas consultas médicas, foi parar na fila das eletivas. Há cinco meses aguarda o procedimento. Seu caso se agravou nos últimos dias. Por conta de um sangramento constante que a deixa com fraqueza, ela precisou deixar o emprego em um salão de beleza.
“Eu limpava o salão, mas tinha dias que mal conseguia me manter em pé”, disse. Assim como Edmo, ela passou bem perto da solução do problema. Sua consulta na Santa Casa para marcar a cirurgia seria dia 20 de junho. Débora só foi informada da suspensão no dia em que passaria pelo médico. “Simplesmente me disseram que estava suspensa e nada mais. Nenhuma explicação.”
Ontem de manhã Débora procurou o Pronto-socorro “Dr. Janjão” depois de 20 dias com sangramento e cólicas. “Não sei exatamente quantos miomas tenho, mas sofro com dores. É uma canseira constante.” Segundo ela, o médico do “Janjão” solicitou novos exames. “Quem sabe desta vez ele me encaminhe para a cirurgia.”
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