No ministério


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Uma interessante especulação sacudiu a cidade nessa última semana.

Trata-se do possível convite para que a empresária Luiza Helena Trajano assuma a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que terá status de ministério, mas ainda aguarda sua aprovação pelo Congresso Nacional.

Nenhum dos dois lados confirma. Por seu lado, Luizinha afirma ser tudo especulação. Pelos lados da presidência, ninguém quis comentar o assunto. A assessoria de Dilma diz que prefere esperar a aprovação da Secretaria.

De qualquer forma, como a especulação já começou, não custa nada engrossar-lhe um pouco mais o caldo. O que Franca ganharia tendo uma de suas filhas diletas como ministra? Por ser presidente de um grande grupo empresarial, teria Luizinha o perfil e a competência para gerir um setor voltado para o micro e pequeno empresário? O que o Magazine poderia perder com o afastamento de sua presidente? O que Luiza Helena teria a ganhar caso aceitasse o suposto convite? E, finalmente, o que o Brasil poderia ganhar com um ministério chefiado por Luizinha?

A primeira questão é bastante óbvia. Em um país de democracia recente, em que o patrimonialismo ainda se apresenta como uma importante característica de nosso sistema político, ter uma representante dentro do governo é com certeza de grande valia. Mesmo que Luizinha não seja patrimonialista e lute corajosamente contra ele, também não deixaria que Franca fosse prejudicada pelo patrimonialismo dos outros. Com certeza, entraria na briga por nossa cidade.

Quanto ao perfil e competência, Luiza Helena está acima de qualquer suspeita. Sua trajetória empresarial, bem como o sucesso do grupo que preside, já bastam para mostrar sua capacidade administrativa. Uma capacidade que é de grande valia para pensar o grande e o pequeno negócio, já que ambos apresentam muitas abordagens e conceitos parecidos, que só se diferenciam em termos de intensidade e de grandeza.

Em relação à empresa, seria legítimo pensar que ela poderia passar uns tempos sem sua principal executiva. Pelo tamanho alcançado pelo grupo e pela própria capacidade de Luizinha em formar e treinar equipes é possível inferir que o Magazine Luiza tem totais condições de continuar seu crescimento sem a dedicação integral de sua presidente.

Para Luiza Helena, tal cargo traria mais dor de cabeça do que alegrias.

Somente o desejo de fazer algo por seu país ou o reconhecimento do status de ministro, uma espécie de coroação de uma carreira tão brilhante, poderiam motivá-la a enfrentar as entranhas do poder burocrático.

Para o Brasil, no entanto, a nomeação de Luizinha seria um grande passo em direção ao desenvolvimento consistente. Tomara que dê certo. As micro e pequenas empresas irão agradecer.

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