“Nós não estamos curados do alcoolismo...”. A frase, dita aos participantes frequentadores das reuniões do AA (Alcóolicos Anônimos), traduz bem o desafio que a maioria deles enfrenta mesmo após meses de tratamento. Em Franca, pelo menos 255 pessoas tentam se ver livre da doença buscando ajuda nos dois órgãos de apoio gratuitos. O número poderia ser bem maior já que, segundo os especialistas na área, em média, metade dos que procuram ajuda desiste no meio do caminho.
No Capsad (Centro de Atenção Psicossocial para Tratamento de Álcool e outras Drogas) há 2,5 mil pacientes viciados em álcool e outras drogas cadastrados no sistema. Atualmente 178 estão em tratamento de vários vícios, o maior é de dependência do álcool - 55 são homens e 20 mulheres.
Na instituição, o dependente químico e sua família passam por entrevistas, recebem atendimento de profissionais, como psicólogos e clínicos, participam de projetos terapêuticos com oficinas, consultas com enfermagem e dezenas de orientações. O tratamento dura em média um ano. “É uma pena, mas muitos desistem antes do término do tratamento. Às vezes, voltam bastante debilitados e são reinseridos nos cuidados novamente”, disse a coordenadora do Capsad, Sirlene Barreto.
A falta de apoio da família e a facilidade de acesso a bebidas alcóolicas são algumas das razões apontadas pelos dependentes que não conseguem se libertar do vício (leia mais em texto nesta página).
No AA, que oferece apoio há 36 anos em Franca, o simples bate-papo entre os dependentes e o acolhimento caloroso do grupo têm sido fatores fundamentais para a recuperação dos usuários. A casa não está ligada a crença religiosa e não exige qualquer contribuição da família ou do participante. J.B., presidente da diretoria do escritório regional, que prefere não se identificar, disse que há centenas de casos de sucesso, onde os ex-dependentes se tornaram sóbrios por mais de três décadas.
O local possui nove grupos com em média 20 participantes cada um. Quem chega é recebido em festa. “São recepcionados como uma pessoa normal, sem nenhuma restrição. A partir daí, eles começam a frequentar as reuniões e compartilhar seu depoimento como troca de experiência. O fundo do poço e a alegria de se manter sóbrio são retratados de forma essencial para sua recuperação”, disse o presidente. As reuniões lideradas por membros do AA são realizadas em igrejas, salões e centros comunitários em diferentes bairros, como Aeroporto, Major Nicácio e São José. “Eles participam com o único propósito de evitar o primeiro gole. Não é fácil, mas basta ter o desejo de abandonar o vício, contando com o apoio e ajuda mútua dos seus companheiros, pelo menos metade deles chegam à sobriedade”, disse J.B.
Quem quiser procurar atendimento, os telefones das instituições gratuitas são (16) 3724-2445 (A.A.) e 3721-3947 (Capsad).
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