É domingo: dia do Senhor! Afirmar tal idéia significa que o domingo, de modo particular, pertence ao Senhor
Os cristãos desejam ouvir seus ensinamentos por meio da Palavra e, com fome, procuram recebê-lo na Comunhão. O domingo abre uma nova semana, e assim, desejamos que cada dia seja por Ele (Deus) muito abençoado! Nosso desejo é ter vida em abundância e Deus quer aquilo que aspiramos. Constantemente não sabemos escolher bem e criamos um grande “caos” no mundo, na nossa vida. É possível reencontrar o caminho que perdemos? A palavra de Deus tem uma proposta para nós.
Nas celebrações eucarísticas serão proclamadas trechos da Palavra de Deus colhidos do 1º livro dos Reis; da carta aos Romanos e do evangelho escrito por Mateus.
PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura relata que Salomão herdou de seu pai, Davi, um grande império. Cabe-lhe, agora, administrá-lo sabiamente. Quando vai oferecer sacrifícios a Javé percebe que este quer lhe oferecer o que desejar.
Salomão tem consciência de suas limitações e incapacidades. Como rei, é necessário “governar”, isto é, ser responsável pelo bom uso do bem público. Ele deve “julgar”, ou seja, promover a justiça sem discriminação e “ter bom senso”, para que o poder se converta em benefício.
Salomão pede tudo isso. Ele possui discernimento e deixa claro que, diante de Deus, ele é um servo e que o povo que irá governar, pertence a Deus. Deus lhe concede sabedoria para praticar a justiça e um coração sábio e inteligente.
As suas intenções iniciais eram boas mas ele não foi capaz de promover o bem do povo, a justiça e a paz, porque a febre do poder tomou conta dele.
O tempo passou e até hoje vemos que o vírus salomônico se tornou epidemia... Ainda hoje encontramos pessoas que ao assumirem o poder não querem entender o valor real do poder, que é “servir”. Outros também não são aptos para usar, com sabedoria, o poder almejado e conseguido. São as “estrelas” do poder que, de forma ridícula, querem agir. São pessoas despreparadas e, como diz o ditado: “vão, com muita sede, ao pote”.
As pessoas que sabem usar o poder que possuem agem sempre com mansidão, não são precipitadas, trabalham com paciência e bondade. E o melhor de tudo é que “fazem muito mais o bem feito”, mais dos que agem sem discernimento.
SEGUNDA LEITURA
Na segunda leitura, carta de Paulo aos Romanos, aprendemos o seguinte: tudo o que acontece, Deus sabe, pois, nada foge do plano de Deus. Nada existe que possa apanhar o Senhor de surpresa. Tudo é conduzido por Deus colaborando para o bem, cumprindo o seu plano de amor.
Todos nós somos predestinados à salvação. Através da pregação da palavra somos chamados a aceitar o evangelho de Cristo. Quem busca ouvir no coração a Palavra de Deus, é justificado, ou seja, vai passo a passo transformando o seu interior e, assim, será glorificado por meio da bela experiência sob a nova condição de filhos de Deus.
O coração de Deus é tão grande que se preocupa com todos: com aqueles que se convertem e com aqueles que escolhem ficar afastados do seu amor.
EVANGELHO
No evangelho Jesus conta mais três parábolas: as parábolas do tesouro, da pÉrola, e a da rede que apanha todo tipo de peixes. Estas parábolas têm uma ciência, e descobri-la, é maravilhoso. Vejamos:
A parábola do tesouro escondido no campo não quer comparar o Reino com o tesouro e sim quer mostrar o estado de ânimo de quem encontra esse tesouro. Outro ponto importante: o reino de Deus não está distante da nossa pessoa; está debaixo de nossos pés, a nosso alcance, em nosso chão. Quando alguém acha esse tesouro fica alegre e experimenta desprendimento total perante outras coisas que pareciam mais valiosas.
A parábola da pérola, de grande valor, vem ensinar que há oportunidades que são únicas na vida, que não podem ser desperdiçadas porque não se repetem nunca mais. A escolha do Reino de Deus não pode ser prorrogada, pois quando Deus convoca é preciso responder imediatamente.
Estas duas parábolas deixam bem claro que o Reino de Deus, por um lado é um dom gratuito de Deus e por outro é também fruto da procura e do esforço do homem.
A parábola da rede que apanha qualquer espécie de peixe, bons e maus, nos ensina que no mundo, na Igreja, dentro do nosso coração continuam existindo forças opostas. Na sociedade convivem lado a lado “peixes bons e peixes ruins”. Quem lança a rede é Deus e só a ele compete ordenar a triagem.
No fim é que haverá a separação. A parábola mostra qual será a sorte final daqueles que perseverarem no discernimento e na opção definitiva, pelo Reino de Justiça.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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