Uma das maiores barreiras que os homossexuais francanos ainda precisam enfrentar quando decidem assumir sua opção sexual é a religiosa. Todos os doze casais entrevistados pela reportagem são unânimes em afirmar que a falta de apoio das religiões é um entrave na hora de assumir a homossexualidade ou uma relação homoafetiva. Eles até encontram aceitação em alguns casos, mas nunca apoio.
Fernanda(*), de 23 anos, cresceu em uma família católica. Seus pais fazem questão de participar das missas aos domingos na Paróquia São Judas Tadeu, na região onde moram. Ela, há cerca de dois anos, divide o apartamento onde mora com a namorada Gisela (*), de 20 anos, que conheceu por meio de amigos, mas não conseguiu assumir o relacionamento para a sociedade. “Meus pais são religiosos. Nunca me apoiariam. Eu também sei que as pessoas não veriam minha decisão com bons olhos. Então, para não expor meus pais e meus irmãos, mantenho meu relacionamento em segredo. Para o mundo, somos apenas amigas que moram juntas”.
O bispo de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, disse que a igreja católica não apóia a união de pessoas do mesmo sexo. “Para nós, família é a união de um homem e uma mulher através do sacramento do matrimônio. Não reconhecemos a união homoafetiva”. Segundo ele, a recomendação para as paróquias da Diocese no que se refere aos homossexuais é para que eles sejam acolhidos. “Não perguntamos a quem nos procura qual sua orientação sexual. Queremos que todos estejam conosco”. Sobre o homossexualismo em si, ele disse ser contra. “Não apoiamos e não recomendamos essa prática. Mas não a vimos como um pecado”.
Adeptos de uma leitura mais estrita dos textos bíblicos, os evangélicos ligados à igreja Assembleia de Deus não aceitam o homossexualismo. “A gente tem que seguir a palavra de Deus... A gente tem que manter a nossa posição. Do jeito que querem fazer (aprovando a união homossexual), isso é uma calamidade pública”. disse o pastor Edson de Oliveira, que comanda a igreja em Franca. Segundo estimativas do pastor, a Assembleia de Deus tem hoje entre 8 e 9 mil fiéis cadastrados.
(*) Os nomes são fictícios já que as entrevistadas pediram para não terem sua identidade revelada
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