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Um levantamento divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) mostra que Franca é a cidade de porte médio com o menor número de casais gays assumidos no Estado de São Paulo. Apenas 63 casais formados por pessoas do mesmo sexo assumiram morar juntos. O número é quase metade da média de municípios do mesmo porte de Franca. A pesquisa foi feita pela primeira vez no ano passado durante o Censo 2010. Os resultados foram anunciados no mês passado.
Para o coordenador do Movimento de GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de Franca, Gilberto Mendes de Almeida, os dados não surpreendem. “Franca ainda é uma cidade muito conservadora. Não me estranha que tão poucos casais homossexuais assumam sua condição. Na realidade, esse número é bem maior”.
O psicólogo João Donah, que há mais de 12 anos trabalha com homossexuais no Grupo Fênix de Apoio a Homossexuais e Travestis mantido pela Prefeitura, concorda. “Assumir a homossexualidade significa enfrentar desafios e correr riscos. Muitas vezes, as pessoas não têm apoio e não se sentem seguras o suficiente para lidar com esses desafios. Acabam por viver a sua homossexualidade na clandestinidade, o que gera angústia e sofrimento. Creio que valores familiares rígidos, religiosidade, preconceito, discriminação e homofobia são fatores importantes que pesam na hora de decidir sobre como lidar com a condição sexual”.
Gilberto diz que, em Franca, o preconceito está presente no núcleo familiar. “Aqui na cidade vivemos um preconceito que está dentro de casa, no núcleo familiar. É o pai e a mãe que não aceitam a opção feita por seu filho. Isso é muito difícil de mudar”.
Além disso, segundo Gilberto Mendes, não há nenhum serviço público ou privado que oriente os adolescentes homossexuais sobre como se assumir. “O número trazido pelo IBGE só mostra o quanto os francanos ainda têm medo de declararem abertamente suas condições. Muitos ainda preferem viver angustiados a enfrentar a sociedade. Isso porque simplesmente não sabem como fazer isso e não há ninguém para orientá-los”.
João Donah rebate e diz que a Secretaria Municipal de Saúde oferece sim um serviço de apoio aos homossexuais. “O Grupo Fênix existe há 12 anos com o objetivo de esclarecer e sensibilizar a população em geral no tocante ao preconceito, a discriminação, homofobia e direitos humanos”.
O grupo trabalha com homossexuais e travestis em palestras, oficinas e eventos que tratam de temas como a importância da prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e aids, os direitos dos homossexuais e a qualidade de vida. “A ideia é levá-los a buscar seus direitos, melhorar a auto-estima. Há uma preocupação muito grande de toda a equipe técnica com esse público alvo”, disse Donah.
O atendimento é feito no Centro de Prevenção, na Rua Ouvidor Freire, no Centro da Cidade. O grupo promove reuniões mensais. Normalmente, são realizadas palestras com nutricionistas, advogados, médicos e sexólogos. A equipe realiza ainda um trabalho de campo para distribuir preservativos e gel lubrificante a profissionais do sexo. O Fênix também é um dos grandes apoiadores da Parada Gay de Franca.
O medo dos casais francanos de assumir sua condição homossexual é grande. A reportagem entrevistou 12 casais em busca de histórias de relacionamentos com pessoas do mesmo sexo. Apenas um aceitou que seu depoimento fosse publicado. Os demais desistiram quando descobriram o assunto da reportagem. “Isso é reflexo do que enfrentamos no dia-a-dia. Só mesmo com informação e educação podemos mudar esse quadro”, disse Gilberto Mendes.

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