Número fixo


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Pergunta-nos uma leitora: ‘Para um espírito, há um número fixo de reencarnações, conforme li numa revista de horóscopo?’. Realmente, alguns sistemas filosóficos que também adotam a doutrina da reencarnação entendem que há um número fixo de retorno do espírito ao plano físico. Já, segundo a Doutrina Espírita, mormente em O Livro dos Espíritos, o processo evolutivo é individual e cada um cumpre-o conforme seu livre-arbítrio, daí resultar ser diferente o número de reencarnações entre os indivíduos.

A reencarnação é um caminho para Deus, propiciando-nos acumular experiências evolutivas nas duas dimensões da vida, especialmente na da matéria, mas o ritmo do progresso moral depende do tamanho da vontade de avançarmos até que, pelo grau de pureza conquistado, sejamos desobrigados de reencarnar, continuando, porém, a eterna evolução.

Portanto, não há um número determinado de reencarnações para os espíritos. Todos usufruirão da reencarnação como sublime oportunidade de enobrecimento das próprias qualidades, mas a maneira de como conduzi-la é particularíssima, da individualidade. Nada nos é dado gratuitamente! Tudo na Natureza nos é concedido em regime de troca, e o resultado do nosso esforço pessoal é que nos oferecerá, na exata e justa proporção, a remuneração correspondente. A alavanca do nosso progresso moral é representada pelo empenho que empregamos em ‘domar nossas más inclinações’.

O que a misericordiosa Lei Divina nos oferece são os meios para atingirmos os nossos fins supremos, quais os da qualificação nas virtudes a que nos condicionam o conhecimento e a caridade. Se houvesse um número fixo de reencarnações poderia ocorrer que um espírito resolvesse deixar para a última a disposição de avançar, e enquanto não chegasse a derradeira, sem razão para se preocupar, viveria as experiências que bem lhe aprouvesse, sem compromisso com a moral.

Ensina-nos, ainda, a Doutrina Espírita, que a maioria das encarnações na Terra, planeta de expiações e provas, só se realiza após programação detalhada. Tudo é previamente planejado para que possamos evoluir, aproveitando ao máximo a oportunidade que nos é concedida. Não quer dizer que a Justiça Divina deixe tudo à matroca, sem qualquer providência. Não! Durante a nossa experiência na face do planeta somos, periodicamente, submetidos a avaliações. Aí, dependendo do processo a que somos submetidos, a Providência determinará situações que nos farão avançar, em nosso próprio benefício, objetivando o cumprimento do desiderato supremo. Quando se nos impõem acontecimentos dolorosos, significa Expedientes Providenciais a nos alertarem para a necessária correção de conduta, estimulando-nos ao cumprimento da programação anteriormente estabelecida.

Allan Kardec, o insigne codificador do Espiritismo, preocupou-se com o tema e, à pergunta 169 da obra referida – “É invariável o número das encarnações para todos os espíritos?” – obteve a seguinte resposta: ‘Não. Aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra”.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca - IDEFRAN

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