Sequência de furtos provoca medo nos moradores do Jardim Cambuí


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VÍTIMA - Na casa de uma diarista, no Jardim Cambuí, os ladrões arrebentaram duas portas para entrar na casa e ter acesso à despensa. Com medo, moradora pensa em se mudar do bairro
VÍTIMA - Na casa de uma diarista, no Jardim Cambuí, os ladrões arrebentaram duas portas para entrar na casa e ter acesso à despensa. Com medo, moradora pensa em se mudar do bairro

No dia 13 de julho, uma quarta-feira, a diarista MR, 47, trabalhou o dia inteiro e, no fim da tarde, passou na escola para buscar o filho na colônia de férias para voltarem para casa. Ao chegar na residência, no Jardim Cambuí, por volta das 18 horas, ela se deparou com o imóvel todo revirado. A geladeira e armários estavam abertos; as roupas esparramadas e o chão da cozinha repleto de macarrão com leite condensado despejado por cima. O micro-ondas, rádio portátil, a TV de 29”, o cofre com a coleção de moedas antigas, roupas, cosméticos, maquiagens novas e até calcinhas foram levados pelos ladrões. MR estima prejuízo de R$ 1,5 mil com o furto, o segundo nos dez anos que mora no bairro. “Foi um desespero ver minha casa daquele jeito”, disse, chorando

O furto na casa da diarista engrossou as estatísticas desse tipo de crime registradas pela Polícia Militar no Jardim Cambuí. Os casos aumentaram neste mês. Entre janeiro e junho, a polícia registrou de uma a duas ocorrências ao longo do mês e em julho, em apenas 15 dias, já foram quatro boletins de ocorrência de furtos no bairro. Nem mesmo as ruas sem asfalto e as casas simples impedem os crimes. As histórias são semelhantes. Os ladrões invadem casas durante o dia, enquanto os moradores trabalham. A polícia acredita que sejam pessoas que residem no bairro e usuárias de drogas.

Com medo, os moradores têm adotado medidas para reforçar a segurança. MR não está dormindo mais em casa. Prefere viajar 60 quilômetros todos os dias para ir e voltar da casa de parentes em Pedregulho. “Minhas vizinhas foram furtadas também e meu medo é que entrem na minha casa de novo e machuquem meu filho, que é especial (deficiente)”, disse ela, que pretende instalar cerca elétrica no imóvel ou se mudar. “Precisamos de mais rondas aqui, porque polícia é artigo de luxo. Não tem.”

A operadora de telemarketing Pollyana Domingos, 22, também foi vítima dos ladrões. Somente na rua dela, três casas foram furtadas desde o começo do mês. “Sei de pelo menos cinco furtos aqui no bairro só neste mês”, disse. Ela e o marido aumentaram o muro da residência e instalaram cerca elétrica, além de substituir a porta arrombada pelos bandidos. “Só a cerca ficou R$ 1,2 mil.”

O furto aconteceu no dia 7 de julho. Os ladrões pularam o muro e arrombaram a porta para furtarem da casa um aparelho de DVD, som do carro, máquina fotográfica, chapinha e produtos da Natura lacrados (ela é revendedora da marca). “Acho que perdi R$ 1,5 mil com tudo que levaram. A gente não pode deixar a casa sozinha, porque sabe que vai chegar e não vai encontrar mais nada”, disse Pollyana.

Uma pespontadeira de 35 anos, que pediu para não ser identificada, reside no Cambuí há seis anos e teve a casa invadida pela sétima vez no último domingo, 17. No começo do mês, os ladrões roubaram cosméticos, roupas do sobrinho dela, sanduicheira, secador de cabelos, chapinha, tênis, taças e meias. Nesta semana, voltaram e levaram a TV de 20”. Ela vive com o mesmo receio de Pollyana. “Cada dia a gente sai para trabalhar de manhã e chega à tarde não sabe o que vai encontrar pela frente”, disse a moradora, que pensou em se mudar do bairro. “Como a casa é minha, fica mais difícil sair daqui. Vou ter que colocar alarme, cerca e grades nas janelas.”
 

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