Durante todo o mês de janeiro, me encantei com os sons, sabores e as cores daquele país distante e tão cheio de mistérios... Uma auspiciosa viagem que me levou a cruzar todo o país, de sul a norte, lado a lado com seus deuses, sábios e santos... Um percurso externo que ia desbravando, também internamente, sulcos profundos e espaços ainda inabitados. Fazia eu parte de um grupo de peregrinos, guiados pelo professor Marco Shultz, com a proposta de desvendar mistérios e sentir bem dentro do coração a delicadeza e a aspereza daquele lugar.
A Índia, espaço de contrastes e de profundas diferenças, tem uma unidade que só comecei a enxergar à medida que me entregava, sem resistência, àquelas contradições visíveis e palpáveis.
Naquele país, o imponderável se faz presente a cada momento. Meus olhos ocidentais chegaram lá totalmente incapacitados para apreender a devoção do indiano. No entanto, levava comigo na bagagem, um pouco da prática do Yoga e da meditação o que acelerou, sem dúvida, a ampliação do meu estado de consciência. O que os olhos não conseguiam ver, embaçados que estavam pelos meus condicionamentos, aos poucos, fui percebendo através da vivência que constatava a beleza da tradição hindu.
Enganada estava eu, quando de forma ignorante, não podia compreender a adoração às diferentes imagens do hinduísmo, uma religião habitada por milhares de deuses. Aquilo me parecia algo primitivo e ignorante. A novela, Caminho das Índias, certamente passou esse conceito para todos nós brasileiros que, presos unicamente a essa visão televisiva, ficamos sem nenhum aprofundamento.
Lá pude ver o outro lado, ou seja, o lado verdadeiro. O hinduísmo tem um profundo respeito a toda criação do universo. Todos os seus deuses são manifestações de um Deus único, capaz de se comunicar com os homens de diferentes formas e aspectos. Brahman, Vishnu, e Shiva abrem alas para toda uma plêiade de deuses que exercem diferentes funções para que o homem possa, através da identificação com uma dessas formas, se comunicar com seu Deus. Além disso, a presença do livro Bhagavad Gita, permeia toda a sabedoria hindu.
Mas, o que me chamou a atenção não foi essa explicação lógica ou teológica. O que ressaltou aos meus olhos foi o respeito ao sagrado, presente em toda Índia. Há uma profunda devoção em cada ato e em cada gesto, em cada espaço. O indiano é um ser dócil. Ele sorri para quem o olha. Ele pede esmolas sorrindo: se recebe sorri agradecido, mas se não ganha nada, também sorri.
Os templos estão sempre cheios de famílias, homens, mulheres, jovens e crianças. Também lá estão as vacas e os macacos dividindo, respeitosamente, o mesmo espaço. Os deuses recebem o carinho e as oferendas e parece que também sorriem, agradecidos.
Também eu senti uma enorme gratidão pela oportunidade de, atônita, olhar o mesmo céu capaz de abraçar tantas diferenças e, ainda assim, continuar azul.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.