Estive durante as duas primeiras semanas de julho viajando pelos Estados Unidos e pude observar um país muito diferente daquele que conheci, décadas atrás, quando lá morei.
Nós últimos anos, viajando a trabalho por outros países, observei que o Brasil começava a ser foco de atenções e observei, também, que as históricas diferenças existentes entre o Brasil e outros países já não eram mais tão contundentes. Entretanto, essa comparação eu ainda não havia feito entre o Brasil e o país detentor da maior economia mundial e do maior poder militar e político já vistos na história da humanidade.
Confesso que vivenciei nessas semanas um misto de euforia (nas comparações com o Brasil) e, ao mesmo tempo, certa preocupação, tristeza ou sei lá o quê. Não fiz uma viagem turística de visitas a lugares ‘comerciais’, preparados para serem vendidos para os iludidos representantes das sofridas sociedades do terceiro mundo. Obviamente que fui a lugares conhecidos, como Nova Iorque e Chicago, mas fui também ao interior dos Estados Unidos e convivi com amigos americanos que bem representam o atual ânimo do povo daquele país.
O interior dos Estados Unidos continua bonito. Desenhado como se tudo fosse perfeito, cada detalhe urbano, cada detalhe paisagístico, pleno de possibilidades de consumo mas, totalmente maquiado pela ação governamental, escondendo uma realidade de desemprego e de frustrações enormes. Uma amiga americana, onde ficamos hospedados por alguns dias no interior do estado de Wisconsin, que tem uma economia fortemente agrícola, confidenciou-me a preocupação de alguns seus conhecidos, juízes e promotores, que tiveram que aceitar um acordo com o Estado para reduzir em 25% os seus salários, e de outros, que perderam seus empregos nos últimos meses.
Os grandes centros urbanos norte americanos foram tomados por imigrantes hispânicos que no passado ocuparam os empregos desqualificados lá existentes e, agora, são os que se mantêm empregados, pois a maioria dos empregos industriais foi exportada para os países asiáticos através da prática norte americana de buscar fabricar seus produtos onde a mão de obra é mais barata.
Os americanos vivem um grave momento de baixa auto-estima. Precisarão reaprender a trabalhar, criando novas empresas e gerando empregos.
Terão que controlar sua cultura consumista para mudar o cenário de conto de fadas que criaram internamente. Terão que aprender e admitir que outros países emergentes (inclusive o Brasil que tanto estão elogiando) passarão a dividir com eles, e com outros países também decadentes, os espaços político e econômicos do mundo.
Quanto a nós, brasileiros, temos feito a lição de casa de maneira correta. Obviamente que ainda existem grandes desafios estruturais e conjunturais a serem enfrentados e, definitivamente, modernizados, mas é visível o quanto o Brasil está melhor, comparado aos Estados Unidos. Espero que melhore cada vez mais e que não venhamos a cometer os mesmos erros econômicos e morais dos americanos.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.