A vida de taxista não está fácil. Como os profissionais não têm bola de cristal nem são preparados para desvelar os mistérios da alma humana em um simples relance, acabam por arriscar-se a cada passageiro que lhes adentra o veículo.
Um risco que cresce de forma acentuada nos dias de hoje, principalmente no período noturno. Reportagem publicada pelo Comércio na terça-feira, 19/07, mostra que cerca de 20 assaltos a taxistas já foram registrados em menos de 6 meses.
Mesmo os motoristas mais experientes ou os esquemas de segurança já experimentados por empresas do setor não conseguem decifrar a intenção que subjaz a cada chamada.
O que fazer, então? Aumentar a fiscalização nos pontos de taxi? Se considerarmos a mobilidade da profissão, essa alternativa mostra-se muito difícil. Seria necessário colocar um policial por veículo, o que é praticamente impossível.
Talvez, selecionar a clientela, como sugerem alguns? Mesmo que seja um caminho a ser utilizado pelos mais amedrontados, é importante lembrar que essa atitude abriria espaço para atitudes preconceituosas, contra as quais viemos lutando arduamente nas últimas décadas.
Como a maioria dos taxistas não domina a arte da adivinhação ou da telepatia, essa seleção certamente se daria pela aparência. Dessa forma, pessoas que não primam pelo vestir-se, seja por desapego ou por questões financeiras, passariam a ter dificuldades em acessar esse serviço de transporte. O mesmo poderia acontecer com aqueles tidos como feios ou que fujam do padrão estético vigente na sociedade atual.
Nessa linha de raciocínio, não seria exagero inferir o recrudescimento do preconceito de cor, de classe social.
Esses caminhos, no entanto, seriam prejudiciais para o convívio social, além de atentarem contra os direitos constitucionais. De qualquer forma, serviriam apenas para aumentar o estresse e a tensão social, mas dificilmente inibiriam a violência contra esses profissionais, uma vez que ninguém tem estrela na testa.
O problema maior dessa violência não está nos taxistas, ou na função que desempenham. A questão principal concentra-se no conflito social que se expande em meio às dificuldades do viver em sociedade. Em uma sociedade que se realiza cada vez mais pelo consumo e pelas modernas tecnologias de comunicação a distância, o individualismo contrapõe-se cada vez mais ao coletivo, desafiando a todo o momento as conquistas sociais já consagradas e as tradicionais noções de justiça e igualdade.
Os taxistas, infelizmente, só estão mais expostos a esses conflitos.
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