O comércio eletrônico é uma realidade cada vez mais abrangente no mundo moderno. Pesquisas dão conta de que esta modalidade de comércio cresce quase 50% ao ano. Este tipo de transação eletrônica traz várias vantagens como o conforto de comprar e receber o produto sem sair de casa. Por óbvio que há efeitos colaterais, o principal deles são picaretas que vivem de golpes no mercado virtual à caça de consumidores ingênuos e desavisados. Previna-se
Há algum tempo, conversei com um destes golpistas que me procurou para defendê-lo em processo criminal. Ele residia em uma cidade da região. Curioso para saber o modus operandi, ouvi-o atentamente. Ele disse que anunciava notebooks a preços “irresistíveis”, cerca de 30% abaixo do valor de mercado. Os consumidores entravam no site, faziam a compra, pagavam à vista ou em duas parcelas e ele não entregava o produto! Em pouco tempo, reunia um valor considerável. Em 30 ou 40 dias, quando o golpe ficava evidente, ele desaparecia. Tempos depois, criava outro site, praticava o golpe e, assim sucessivamente. Por motivos de foro íntimo, não o defendi. Mas fiz questão de contar este episódio para que as pessoas se atentem nas compras por internet. É preciso muito cuidado para evitar os golpes.
A primeira dica é checar sempre se a loja virtual é conhecida, se algum amigo seu já comprou lá. Conferir se a loja possui o CNPJ, telefone para contato e endereço físico são medidas importantes. O internauta também deve perguntar aos colegas de rede sobre o histórico do varejista, principalmente há quanto tempo a loja está estabelecida na internet. Verificar informações de reclamações no Procon também ajuda a entender se a loja pratica golpes.
Um dos grandes receios dos consumidores internautas em relação às compras on line é a descoberta e utilização futura de informações pessoais (número da conta, senha do cartão) por hackers. Os riscos de uma invasão ao sistema de um banco ou loja existem, porém o sucesso nestas operações é incomum, segundo os analistas. O consumidor virtual deve checar se o site tem o certificado Secure Sockets Layer (SSL). Este certificado é visualizado geralmente por um selo no rodapé da página, mas não há um padrão onde o consumidor possa vê-lo. Com o SSL, as informações que o cliente disponibiliza ao site são embaralhadas e transformadas em símbolos, dificultando a ação de hackers.
Outro problema recorrente é a recusa na troca do produto. Ainda não inventaram uma forma do consumidor experimentar o produto antes de comprar na rede. Assim, nem sempre o produto que você compra é exatamente aquele anunciado. Outras vezes, o produto comprado não atingiu suas expectativas quando você o recebeu. A legislação consumerista previu esta situação e no artigo 49 deu a opção do consumidor trocar o produto, independentemente do motivo, em até 7 dias após o recebimento. O fornecedor neste caso, quando vende pela internet já conhece este risco e não pode reclamar de trocar o produto.
Neste sentido, o consumidor tem o direito de trocar o produto ou pedir seu dinheiro de volta no prazo de sete dias e mais: tem o direito de ser ressarcido de todas as despesas postais. É importante que você se informe e entenda a política de trocas da empresa, que deve obedecer o artigo 49 do CDC, antes de fechar a compra. Procure saber se a loja arca com as despesas da logística, qual o prazo de devolução, e se há algum tipo de reembolso caso não queria ficar com o produto. Se a política de trocas não cumprir a lei, não compre o produto.
Um atrativo ao consumidor são as ofertas “iscas”, ou seja, anúncios de preços extremamente abaixo daqueles dos concorrentes que podem esconder fraudes. Mas, ao ver um preço extremamente atrativo, garanta que o site é seguro, pergunte para outros internautas se as compras realizadas naquele estabelecimento foram entregues sem nenhum tipo de problema, e verifique se as lojas são legalmente constituídas.
Prática comum de golpe também é o envio de e-mails dizendo que você ganhou prêmios. Se você receber algum e-mail de remetente desconhecido, e com algum anexo, delete a mensagem sem abri-la, pois as chances de serem vírus são enormes, se não contiver vírus, há possibilidade de se tratar de golpe.
Acredito assim que os golpes na internet são totalmente previsíveis e possíveis de se prevenir com atitudes simples. Os golpistas também estão cada vez mais inovadores e mudam de tática o tempo todo para tentar confundirem os incautos internautas. Os golpes sem dúvida são reais no mercado virtual e os consumidores devem se prevenir para não serem vítimas de golpes.
DEFLAÇÃO NO ALUGUEL
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), usado como referência para reajustes em contratos de aluguel, caiu 0,21% na segunda prévia de julho. De acordo com dados divulgados ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no ano, o indicador acumula alta de 2,92%. É um bom presságio.
LIQUIDAÇÕES DE INVERNO
O inverno está a todo vapor e as lojas começam a fazer “liquidações” de inverno. Talvez por conta da ausência de datas comemorativas no mês de julho é preciso aquecer as vendas. Assim, muitos lojistas fazem “liquidações” de inverno. É preciso cautela porque nem sempre os preços são atrativos e, por conter o nome liquidação, o consumidor tem a ilusão de que há descontos vantajosos. Compre apenas o essencial e não se seduza pelas “liquidações” de inverno. Afinal de contas o dia dos pais se aproxima e você terá gastos com presentes no início de agosto.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br
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