R$ 0,10, R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1. De moeda em moeda, os francanos enchem os cofrinhos e juntam dinheiro para realizar sonhos. Com o hábito de guardar as pratas, viajam, engordam a poupança, fazem compras e muitos planos, até de comprar uma moto.
A brincadeira de criança também faz parte do universo dos adultos. Aos 58 anos, a esteticista Maria Lima mantém o costume de guardar moedas. Depois de ouvir de uma amiga que valia a pena, resolveu arriscar. Começou há cinco anos e não parou mais. Também, pudera. Na primeira vez que juntou, acumulou R$ 1,5 mil em um ano. Usou o dinheiro para viajar com o marido e o casal de filhos para a praia - Ubatuba - e ainda voltou com troco. “Fiquei animada e junto todo ano.”
Maria guarda em média R$ 1 mil por ano e troca todo o dinheiro em uma padaria. “Toda moeda que passa por mim, separo. Sempre que me pedem 20 centavos para facilitar o troco, digo que não tenho e pago com cédula. Sei que nunca guardaria R$ 1 mil por ano se não fossem as moedas”, disse.
Maria coloca todas as moedas que recebe na bolsa e à noite, religiosamente, as separa para depositar em uma lata. “Depois que guardo, esqueço delas. É meu 13º. Sou o Tio Patinhas da minha casa (personagem da Disney famoso por armazenar moedas).”
É pensando em viajar com a mulher no ano que vem que o comerciário Cláudio Silva decidiu comprar, aos 49 anos, uma porca azul, feita de gesso, para armazenar as moedas. “Estava juntando em uma caixa aberta, mas acabávamos usando as moedas. Colocando no cofre, vou ter mais disciplina porque a gente só tira as moedas ao quebrá-lo.” A porca, que está na estante da casa, será espatifada apenas em julho de 2012. “Só vou saber quanto juntei daqui um ano. É difícil calcular o valor que junto num dia, mas acredito que seja uns R$ 5.”
Nem todas as moedas que entram na casa de Cláudio vão para o novo cofre. A filha dele, a estudante de administração Marina Rezende Silva, 19, mantém o costume desde criança. Parte da festa de formatura do ensino médio, inclusive, ela pagou com os R$ 200 que conseguiu poupar em moedas. “Vendia trufas de chocolate na escola e o que recebia em moedas guardava. Me ajudou a pagar a formatura. Hoje junto e se quero comprar alguma coisa, uso as moedas.”
Foi para economizar dinheiro para o futuro do filho Gabriel, 10, que Maurício Maniglia, 45, orientador de comunidade terapêutica, passou a juntar moedas há dois anos. “A gente ficava guardando um mundo de moedas, então resolvi colocá-las num cofre. Sei que elas precisam voltar a circular no mercado, então, a cada dois meses, quando o cofre enche, trocamos e depositamos na poupança que abrimos para o Gabriel.”
Até agora, a família poupou cerca de R$ 1 mil. A ideia é sacar o dinheiro quando Gabriel completar 18 anos. “É um investimento para ele. Guardamos todas as moedas. É uma maneira de juntar o dinheiro, porque quando a gente fala que vai guardar R$ 100 por mês acaba gastando.”
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