Há uma semana dois irmãos foram presos em flagrante por um assalto a um taxista. Eles pegaram o táxi no Jardim Pulicano e, quando estavam próximos da Rodovia Nestor Ferreira, ameaçaram cortar o pescoço do taxista com uma faca caso ele não passasse o dinheiro. No dia 10 deste mês, policiais militares prenderam quatro homens acusados de roubar outro taxista. Eles solicitaram os serviços do profissional na porta de uma boate no Centro e pediram uma corrida até o Jardim Paulistano. Durante o trajeto, os marginais ameaçaram a vítima e anunciaram o roubo. No dia 25 de junho a polícia registrou mais um assalto a táxi. A vítima relatou que foi acionada para pegar dois passageiros na Rua Francisco Marconi e ao chegar ao local um dos bandidos sacou uma arma de fogo e anunciou o assalto. O taxista foi obrigado a entregar dinheiro e celular. O marginal fugiu a pé com seu comparsa.
A lista de assaltos a taxistas da cidade é grande. Pelo menos outros dezoito roubos foram registrados desde o início deste ano. Os três profissionais citados nos casos acima sofreram ferimentos leves e passaram por um susto que jamais vão esquecer. Um deles desistiu da profissão na semana passada, após sofrer o segundo assalto num prazo de três dias. Os demais dizem que dependem do ofício para sustentarem suas famílias, mas temem por suas vidas.
Diante desse quadro, alguns profissionais do ramo - apesar de terem procurado selecionar a clientela e investido em segurança nos últimos meses -, continuam com medo e sentindo-se vulneráveis.
Há 12 anos como taxista, José Caetano de Melo já foi assaltado e diz que agradece a Deus todos os dias por ter voltado vivo para casa. “Não existe uma fórmula mágica para evitarmos os assaltos. Trabalhamos sempre com medo, saímos de casa e não sabemos se vamos voltar”, disse.
Na empresa Centertáxi, que conta com 28 carros e 65 motoristas, o presidente Gerson Seara da Silva já orientou seus funcionários para que fiquem atentos ao perfil dos seus passageiros, mas sabe que - além de difícil execução - é uma medida insuficiente para coibir os assaltos. “Não podemos andar armado, então a dica é tentar selecionar a clientela. Mas quando os roubos começam a dar certo, vira uma onda que é difícil conter”, disse.
Há um ano, os taxistas e os passageiros do bairro Estação passaram a ser monitorados por câmeras externas. O entra e sai nos carros é registrado por dez câmeras que estão localizadas no estacionamento vigiado 24 horas por dia. Segundo os taxistas da frota, a diretoria da empresa gastou cerca de R$10 mil para compra e instalação dos equipamentos. A medida trouxe mais segurança ao local, pelo menos enquanto os carros estão estacionados. “Porém a cada chamado as câmeras não podem nos acompanhar. Longe daqui já fui assaltado, esfaqueado e cheguei a levar dezesseis pontos no pescoço, escapei por um milagre”, disse Roberto Gomes, taxista há seis anos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.