Dos 14.540 estudantes matriculados no ensino médio em Franca no ano passado, 1.192 abandonaram os estudos. A taxa média de evasão corresponde a 8,2% e é maior do que a média estadual (5,1%). Os dados foram divulgados pelo MEC (Ministério da Educação), por meio do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e fazem parte do Censo Escolar 2010. O percentual corresponde ao número de alunos que se matricularam e deixaram a escola durante o ano, sem explicar os motivos ou passar pelo processo de transferência.
Líder disparada em abandono escolar na cidade, a Escola Estadual “Professora Maria Cintra Nunes Rocha” (Dona Branca, no Jardim Cambuí, zona norte da cidade), apresentou média superior inclusive à do País, que reúne na somatória rincões do Norte e Nordeste. Dos 244 alunos matriculados em 2010, 22,8% deixaram as salas de aula. A porcentagem de evasão no País foi de 11,5%.
Convivendo com essa realidade há seis anos, a diretora da unidade, Marli Souza e Silva Menezes, acredita que a necessidade dos jovens de ter que trabalhar é a responsável pela evasão. “Eles vão para a indústria calçadista de madrugada e voltam no fim da tarde. Como muitas fábricas ficam longe, vão e voltam de bicicleta. Quando chega o horário da aula, estão cansados e desistem de frequentar a escola”, disse Marli. No caso das meninas, o abandono é mais comum em casos de gravidez.
Para mudar essa estatística, Marli conta com o apoio do vice diretor e dos coordenadores pedagógicos, além de visitar pessoalmente a casa dos estudantes. Mudar a didática da aula e implantar equipamentos eletrônicos também fazem parte das estratégias. “A escola fica no último bairro, o asfalto está chegando agora. Se não tiver diálogo e um atrativo, esses jovens não têm estímulo para vir estudar.”
O trabalho também é apontado como um dos motivos para o alto índice de desistência verificado entre os estudos na Escola Estadual “Otávio Martins”, na Vila Chico Júlio. Na instituição, que no ano passado tinha 199 estudantes no ensino médio, a taxa de evasão ficou em 16,5%.
Na “Otávio” os alunos deixam a escola porque o horário de aula coincide com o de serviço. A unidade só oferece ensino médio no período da manhã. “Alguns alunos conseguem emprego em varejões e supermercados no período da tarde e noite, outros não têm essa sorte de ter a manhã livre para estudar”, disse Elza Trevisani Nascimento, diretora da “Otávio” há 20 anos. Segundo ela, o abandono escolar é uma problema antigo e também tem ligação com a falta de perspectiva de futuro dos jovens. “Falta objetivo. Como a maioria não tem condições de pagar faculdade e acha que nunca vai poder fazer um curso superior, desiste de estudar”, disse.
Terceira no ranking das que tiveram maior índice de abandono, a Escola Estadual “Antônio Fachada”, no Parque Vicente Leporace, não se manifestou sobre os dados. A unidade que em 2010 matriculou 522 alunos para o ensino médio teve uma taxa de evasão de 15,7%. Mais que o dobro da média da cidade vizinha, Ribeirão Preto (7,1%).
De 43 escolas que apresentaram os dados ao Censo, somente dez tiveram evasão zero no ano passado. Dessas, oito são particulares. As duas únicas unidades públicas sem registro de abandono são a escola Sesi e a Escola Técnica Estadual “Júlio Cardoso”, integrante do Centro Paula Souza.
Veja o quadro abaixo:
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