Banana e canela


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O pudim de banana
O pudim de banana

Profiteroles com sorvete de pimentão e calda de chocolate é item de cardápio francês. Canapé de jiló gratinado lembra as criações tupiniquins de Alex Atala. Salpicão de repolho com uva poderia ter a assinatura do bufê da Nina Horta. São algumas das muitas novidades que tentam qualquer mortal ao pousar o olhar sobre as 238 páginas em couché de livro bonito que ganhei recentemente. Avalio mais uma vez as fotos perfeitas e penso que qualquer um dos pratos que elas ilustram poderiam compor menu de bom gosto. Talvez fossem esnobados apenas em mesas emergentes, pois têm seu custo calculado em variações que vão de R$ 0,27 a unidade, caso do docinho de beterraba, a R$ 1,12 a porção, exemplo do fricassê de legumes. As Eunices da vida, que sonham com “a elite carioca”, diriam: “Coisa de pobre, mamãe.” A chef Lindinha Sayon retrucaria: “Sabor não tem a ver com preço, mas com preparo e criatividade na hora de fazer combinações”. Palavras de quem tem experiência, talento, sensibilidade e dispos
ição para compartilhar experiências.

Mas, afinal, pode-se perguntar o leitor, qual é o nome do livro? Respondo agora: Alimente-se Bem, publicação de excelente qualidade que chega à sua décima edição e me foi presenteada por Silma de Alcântara Junqueira, diretora do Sesi/Franca. Produto editorial bem cuidado, como tudo o que tem a chancela da entidade, ele representa o braço de um projeto importante, que objetiva levar à população receitas saudáveis, saborosas, de boa apresentação e baixo custo. Com texto informativo, material gráfico excelente, muita didática na listagem dos ingredientes e no modo de fazer, o livro “reafirma o compromisso da Divisão de Alimentação do Sesi de trabalhar na difusão da cultura de utilização plena dos alimentos sem com isso abrir mão de sabor, textura e valor nutricional,” explicam os autores. Pessoalmente, acho que nós, brasileiros, precisamos acabar com a mania do desperdício, sinal de subdesenvolvimento. Ele começa com a dona de casa que joga fora metade do que compra porque não sabe utilizar ra
cionalmente os alimentos. O Sesi vem conseguindo educar parcela expressiva da população com cursos, presença na mídia, livros de receitas. Os participantes e leitores são estimulados a aproveitar os ingredientes em sua totalidade, pois muitas vezes atira-se no lixo o que é mais nutritivo.

Colega de Lindinha Sayon, o chef Alessandro Segato diz que “Alimente-se Bem quebra tabus, trabalha na desmistificação.(...) Por exemplo, as pessoas pegam o brócolis, tiram os talos e as fo-lhas, usam só a flor. Não! Vamos usar as folhas e os talos também, eles inclusive são mais ricos em fibras do que a própria flor. Este conceito é aplicável em qualquer nível de sofisticação culinária, desde a cozinha doméstica até a dos grandes restaurantes”.

Sob este aspecto, escolhi o pudim de banana exatamente para aproveitar minhas frutas que estavam bem maduras e entraram com casca e tudo na massa. A canela, que está sempre presente na minha cozinha, conferiu cor e perfume únicos.

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