Quem nunca ouviu aquele carro de som passando na rua e anunciando: “Olha a pamonha quentinha e fresquinha”? Esse trabalho pode parecer apenas um bico de final da tarde. Mas, para muitas pessoas, é muito mais. Em Franca pelo menos três pamonheiros têm o produto como principal fonte de renda. O dinheiro que vem do milho sustenta as famílias e garante a conquista da casa própria, do carro zero e até a oportunidade de fazer uma poupança extra.
Para Clarinda Vicente de Souza, 61, a profissão de pamonheira chegou por acaso devido à vontade dela de comer pamonha e depois a necessidade financeira. “Há 26 anos eu e meu marido viemos do Paraná para cá sem dinheiro algum. Um dia estava em casa e passou um carro vendendo milho na rua, pedi ao meu marido para comprar para fazermos pamonha porque estava com muita vontade de comer”, disse. Mas, Clarinda e o marido não tinham dinheiro suficiente para comprar o saco de milho naquele dia... “Fiquei um ano com vontade de comer pamonha. Até que minha filha juntou um dinheiro e comprou um saco de milho para nós. Neste dia fizemos pamonha, decidimos vender e foi um sucesso, tanto que comemos apenas uma cada um naquele dia”, disse.
A partir daí, o dinheiro que Clarinda ganhava com as pamonhas era usado para a produção de mais unidades. “Já cheguei a fazer 500 para um evento. Hoje, faço em média 150 por dia e sozinha”, disse. Clarinda vende o produto de porta em porta, em residências ou pontos comerciais e conta com a ajuda da filha no transporte. “Com muito esforço já comprei carro, sustento a casa, pago água, luz, telefone, e ainda um curso para minha filha. Hoje vivo da pamonha, não devo nada para ninguém e, no ano que vem, pretendo comprar uma casa”, disse Clarinda, que preferiu não revelar quanto ganha por mês.
Já Maria José de Freitas, 39, herdou da mãe a tradição de fazer pamonha. Divorciada e mãe de três filhos com idades entre 14 e 21 anos, ela conta que foi criada no sítio da família onde assistia a mãe fazer pamonha. “Ela fazia para a família inteira comer. Por causa da idade avançada (68 anos) e como dava muito trabalho, ela parou e eu continuei”, disse.
Há 16 anos Maria José montou um ponto comercial para vender suas pamonhas e, com a ajuda de uma funcionária e dois filhos, vende em média 300 unidades por dia. “Ao longo dos anos fui incluindo derivados como curau, bolo, sopa, bolinho e até suco de milho”. Neste ano Maria José abriu mais um estabelecimento e atualmente se orgulha de ter uma renda mensal de R$ 7 mil.
“Conquistei minha casa própria e todo ano eu troco de carro. Sustento meus três filhos com a pamonharia. Hoje ganho bem mais que muitos parentes meus que têm nível superior”, disse a proprietária da Casa da Pamonha, que estudou até o ensino médio.
Com a mesma alegria e satisfação na profissão, o pamonheiro José Rodrigues da Silva, 56, passa mais de seis horas por dia circulando de carro por diferentes bairros de Franca vendendo suas pamonhas. Ele produz em média 100 unidades por dia e ganha cerca de R$ 2,8 mil por mês. Parte do dinheiro que recebe guarda para fazer uma poupança. “A gente não sabe o dia de amanhã, né? Precisamos juntar umas economias”, disse o pamonheiro.

MODO DE FAZER - Após ralar o milho e preparar a massa, Clarinda de Souza escolhe as palhas para enrolar a pamonha

QUASE PRONTO - Clarinda retira as pamonhas do fogo

ÁGUA NA BOCA - Hora de degustar uma pamonha fresquinha
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.