Cada eucaristia celebrada é uma verdadeira escola da fé. É o Senhor que nos reúne num encontro pessoal com a própria Palavra viva do Pai, que é o Cristo Ressuscitado despertando o valor da solidariedade entre irmãos. Por tudo isso: ‘Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!’
O título desta reflexão é verdadeiro, mas, porque é assim? Deus é calmo por ser sábio, o homem, não, por faltar a sabedoria na vida de cada dia. A primeira leitura é do livro da Sabedoria Ontem e hoje nos questionamos e questionamos muito o poder de Deus. As nossas perguntas giram em torno da justiça divina; da sua providência para com todos; onde está a força de Deus?; porque Deus não age para exterminar o mal?, porque sofremos tanto?
O livro da Sabedoria vem nos responde assim: a força do Senhor é sempre grande, mas ele não a usa para castigar ou causar o mal para o homem, porque ele é indulgente com todos. Ele não pode amar somente alguns.Deus não busca a mudança na vida dos maus enviando-lhes castigos ou golpeando-os com desgraças, mas demonstrando mansidão e indulgência. A grande catequese da palavra desta leitura é a seguinte: toda pessoa que se sente justa, deve amar todos os homens, bons e maus.
Deus faz assim com todos: Ele não ama somente os bons, ama a todos, também os maus, porque são suas criaturas, e o único desejo que ele tem é que mudem de vida, depressa, para que todos sejam muito felizes. A segunda leitura é um pequeno trecho da carta de São Paulo aos Romanos. Com grande carinho, São Paulo diz que não sabemos como rezar, não sabemos o que pedir a Deus. É necessário rezar a partir do Espírito Santo que vem em nossa ajuda e nos sugere o que temos que dizer ao Pai.
O Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, ele se torna a nossa melhor oração de súplica, o maior conforto na esperança. Ele quer que sejamos libertos e salvos. Ele é o intérprete dos nossos sentimentos mais íntimos. A oração feita segundo a luz do Espírito Santo é atendida pelo Pai, pois, coincide com o desejo de Deus, com a sua vontade em relação à nossa pessoa. O apóstolo Paulo deixa bem claro que os filhos de Deus são todos que se deixam guiar pelo Espírito de Deus.
Qual é a lição que podemos colher desta palavra? É a seguinte: Todos os homens e mulheres que usam a sua razão de forma saudável conservam um grande desejo no coração: atingir a perfeição e ajudar na transformação do mundo. Esse desejo não vem pronto do céu e resta-nos apenas a possibilidade de desfrutá-lo. Esse desejo é conquistado!
DESAFIOS
A realidade que nos cerca está marcada por injustiça, corrupção, violência, fome, doença, morte. Esses são desafios. Todo desafio é estimulante! Muitas vezes chegamos à conclusão que nossos esforços trazem poucos frutos e muitas desilusões. E perguntamos: Vale a pena, a luta? A resposta é clara, única e total: Sim, vale a pena! O trabalho do homem, alicerçado nas boas intenções, é sempre frutuoso. É preciso ser persistente e nunca buscar soluções fáceis e rápidas.
Muitas coisas boas que hoje colhemos foram plantadas por pessoas que não estão mais entre nós, já morreram. Muitas sementes que hoje plantamos, quando frutificarem, outros irão saborear e nós não estaremos mais neste mundo. Isso é injustiça? Não! Esta é a pedagogia da vida. Vivemos de heranças e deixamos “heranças”.
Que belo é o trecho do evangelho, capítulo 13 de São Mateus. O reino de Deus cresce em meio aos conflitos. É a parábola do joio e do trigo. A parábola do joio no meio do trigo mostra que a sociedade é um campo de semeadores diferentes e cheia de contrastes. O semeador cumpre o dever de semear boa semente. Contudo no meio do terreno cresce também o joio. O trigo é comparado à justiça e o joio à injustiça no mundo. Aqui reside a dúvida cruel das primeiras comunidades cristãs que continuam sendo o nosso questionamento: como deixar que o mal conviva com o bem? Por que não arrancar o mal de uma só vez e deixar o trigo crescer de forma plena?
A resposta do dono da colheita é muito clara: só a Deus cabe fazer a triagem. Ela não será feita agora, pois, se a separação fosse agora, correr-se-ia o perigo de arrancar o trigo junto com o joio, pois, quando pequenos, são muito parecidos, é no momento da espiga que a diferença fica evidente.
JUSTIÇA
Em se tratando da “justiça” fica claro que ela surge num campo de luta, numa sociedade conflituosa e aos discípulos de Jesus não compete fazer justiça com as próprias mãos e critérios, mas, somente semear... Usando a comparação do grão de mostarda que é a menor de todas as sementes, Jesus quer ensinar que o início da justiça é sempre pequeno e insignificante, mas com o tempo se torna árvore, atingindo de quatro a nove metros de altura. A justiça que Jesus fala vai sobressair e se tornar o ponto de encontro entre todos os povos.
Quando Jesus compara o Reino do céu ao fermento que é usado em pequena quantidade para levedar a massa, o seu objetivo é ensinar que a justiça do Reino tem poder revolucionário. O Reino de Deus contagia as pessoas e é confiado aos pequenos, pobres e marginalizados, num compromisso diário. Em tudo isso Jesus faz um contraste entre os filhos do Reino e os filhos do diabo. A boa semente são os filhos do Reino, ao passo que o joio são os que fazem os outros pecar e os que praticam o mal. De tudo isso fica uma grande lição para nós: cada dia da nossa vida é muito precioso, pois, nele devemos semear a boa semente através das nossas palavras e atitudes.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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