O secretário estadual de Saúde, Giovanni Guido Cerri, é médico radiologistas e professor titular da Faculdade de Medicina da USP. Ao assumir o cargo na terça-feira, anunciou que sua principal meta será o combate às drogas e bebidas alcoólicas
A utor de mais de 200 trabalhos publicados em revistas científicas nacionais e estrangeiras, Giovanni Cerri tem 22 livros publicados e mais de 30 prêmios conquistados, entre eles o Prêmio Jabuti de Literatura na área de Ciências, conquistado em 2010. Ao assumir o cargo concedeu esta curta entrevista:
De que forma o senhor pretende começar a cruzada de combate ao álcool entre os jovens?
Pretendemos firmar parceria com as secretarias de Educação, Justiça e Segurança, entidades representativas da sociedade e escolas particulares para desenvolver campanhas de prevenção e promoção de saúde visando alertar os adolescentes e jovens paulistas quanto aos malefícios do álcool e do uso de drogas. Penso que o trabalho educacional é fundamental para a formação dos jovens.
Por que a inclusão do álcool entre as drogas a serem combatidas?
O início precoce do consumo de álcool, na companhia de amigos, representa um risco para o jovem. Especialmente se ele não tiver consciência quanto aos riscos envolvidos. No começo, o consumo exagerado de álcool na escola ou na faculdade parecem engraçados aos olhos dos alunos, mas com o tempo pode se tornar um problema grave de dependência. Por isso apostamos na prevenção. O álcool é a substância psicoativa mais aceita socialmente hoje em dia. Mais do que o cigarro. Por vezes nem os familiares percebem o grau de envolvimento que o jovem está tendo com bebidas alcoólicas.
O senhor. tem números que demonstrem a gravidade do problema em escala estadual e brasileira?
O alcoolismo é, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), uma das principais causas de morte evitável. Pode causar inúmeras doenças, como diabetes, hipertensão, cirrose e câncer. Muitas pessoas acabam morrendo precocemente justamente porque começaram a beber desde muito cedo, sem ter noção dos riscos quanto ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Se é possível evitar, vamos combater.
JOVENS NA RUA
O Diário da Região, de São José do Rio Preto, publicou sexta-feira que a população de moradores de rua da cidade, além de aumentar, está ficando mais jovem, segundo mostra levantamento da Secretaria de Assistência Social. A diretora Janaina Simão afirma que o uso do crack colabora para a mudança de perfil. Em anos anteriores, a faixa etária mais significativa era a dos 35 aos 40 anos, que reúne principalmente pessoas que vão para as ruas influenciadas pelo consumo de bebida alcoólica.
Agora, a principal faixa etária é entre os 26 e os 30 anos. ‘Muitos são usuários de crack que começam a romper os vínculos com a família’, afirma. Os dados revelam que 43,7% do total estão até há três anos nessa condição. Dos 180 moradores de rua de Rio Preto, 67 usam crack, sendo que desses 36 também bebem. Importante que outras cidades façam o mesmo estudo para avaliação da tendência no Interior Paulista.
OPINIÃO DO LEITOR
Recebemos de Oswaldo Malini, presidente da Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer, de Bauru, a seguinte opinião sobre a questão das drogas e álcool na juventude: ‘O problema maior do aumento da criminalidade no Brasil não está na deficiência da segurança pública, mas sim no desamparo de nossas crianças e adolescentes carentes de famílias marginalizadas socialmente. A educação não deve ser implantada através de leis, mas do meio em que vive nossas crianças. (...) Todo adolescente já a partir de 12 anos de idade deveria ingressar no mercado de trabalho como aprendiz, e o governo isentando de qualquer tributo e criando incentivos fiscais às empresas que aderirem a esse sistema de ressocialização dessas criaturas.
NOITE SEM BEBIDA
Um exemplo positivo de criatividade do poder público para conscientizar a população. O Conselho Municipal sobre Drogas de Franca vai realizar dia 12 o evento ‘Balada de Boa - Uma noite sem bebida alcoólica’. A festa tem o objetivo de incentivar a participação da comunidade na defesa e promoção da saúde. ‘Queremos que as pessoas entendam que a diversão pode ocorrer sem o consumo de álcool. Elas precisam atentar para este fato’, afirma o presidente do órgão, Aurélio Luís da Silva.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
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