Na última semana, mais uma denúncia de estupro em família chocou a comunidade. Cinco irmãs acusam o próprio pai de abusá-las sexualmente há anos. Dentre as vítimas há três filhas menores de idade, com 17, 15 e uma de apenas 8 anos. As duas mais velhas afirmaram à polícia que o pai mantinha relações sexuais com elas. A criança de 8 declarou que ele passava a mão em suas partes íntimas, fazia sexo oral e tentava introduzir o pênis em sua vagina. A história, estarrecedora, é mais uma dentre outras de abuso sexual envolvendo menores. Em Franca, no intervalo de um ano, o número de registros de ocorrências desse tipo dobrou no Conselho Tutelar.
Ao longo de 2010, os conselheiros tutelares registraram 30 casos de abuso, contra 16 ocorrências no ano anterior. Para a conselheira Gláucia Limonti, a divulgação de outras histórias de abuso pela imprensa motivam as denúncias. “As vítimas que vêm sofrendo abusos normalmente não têm coragem de denunciar e, ao saberem de outras pessoas que enfrentam a mesma situação e tomaram alguma atitude, ganham coragem para fazer o mesmo”.
Gláucia ainda atribuiu o aumento das ocorrências nos últimos 12 meses ao trabalho de orientação prestado pelo Conselho Tutelar às pessoas que estão em acompanhamento no órgão. “Os próprios usuários nossos estão mais atentos e não aceitam enfrentar a situação de abuso ou assédio sexual dentro de casa”.
Na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), a delegada titular Graciela Ambrósio percebeu aumento nos crimes dessa natureza. Ela não apresentou estatísticas do crescimento, mas disse que notou alterações na rotina da delegacia, especialmente no último trimestre de 2010. Dos 30 casos de abuso registrados no ano passado, oito chegaram ao conhecimento do Conselho Tutelar em dezembro contra três ocorrências em janeiro e duas em fevereiro e março.
“Foi uma avalanche de denúncias de abuso sexual. Me chamou atenção por terem se tornado frequentes demais”, disse Gláucia. Como a conselheira tutelar, a delegada Graciela acredita que outras histórias tornadas públicas motivaram as denúncias à polícia.
PERFIL
Os autores dos abusos sexuais são pessoas próximas, na maioria dos casos o pai ou padrasto. O cenário mais comum para a prática dos crimes é a própria casa das vítimas, que na maior parte das ocorrências são meninas, com 8, 9 e 10 anos. Foram registrados casos de crianças de 3 a 6 anos também, segundo a delegada Graciela Ambrósio. “Os autores são homens. Durante os anos em que atuo no Conselho Tutelar, acompanhei apenas uma história em que a mulher abusava de uma criança. É bem raro isso acontecer”, disse Gláucia. Os abusadores costumam fazer chantagem emocional e ameaças de morte para comprar o silêncio de suas vítimas.
Gláucia Limonti orienta as mães a ficarem atentas para evitar esses tipos de ataques. É preciso observar o comportamento dos cônjuges e dos filhos, que normalmente ficam agressivos, tristes ou retraídos; apresentam queda no rendimento escolar e evitam contatos com o autor quando são abusados sexualmente. “É preciso ter um diálogo sempre, falar abertamente para saber se acontece algo de errado entre os filhos e os companheiros das mães, ou tios, avós e outros parentes, que também chegam a praticar abusos”, disse a conselheira tutelar.
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