José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), aposta na qualidade dos produtos para aumentar as exportações em 2011. O empresário promete trabalhar junto ao governo federal para incentivar as vendas para o exterior.
Comércio da Franca - Como estão as exportações de sapatos em Franca?
José Carlos Brigagão - Exportamos 3,1 milhões de pares em 2009. Acredito que fecharemos 2010 com 3,5 milhões de pares exportados. Vários fatores contribuem para a melhora, como a ousadia dos calçadistas francanos de passarem a vender marca própria. Com recuo das exportações para os EUA, que antes respondiam por 60% das exportações e agora representam 46%, os empresários viram a possibilidade de vender para o mundo. Exportamos para 59 países, entre Emirados Árabes, Espanha e Itália. Outro ponto é o produto agregado. Ao se abrir para o mundo, descobre-se que cada país tem uma exigência e para atender o consumidor de cada lugar é preciso melhoria de qualidade, de custo e isso levou as indústrias a terem crescimento.
Comércio - O que as empresas têm feito para aumentar o valor agregado?
Brigagão - O fato dos empresários visitarem pessoalmente os países contribui porque vão para conhecer os costumes dos consumidores, a qualidade do produto que querem, descobrir que material desejam que seja usado. O setor vem agregando mais ao seu produto e atingido um preço médio maior. De janeiro a outubro de 2009 para 2010, o preço médio cresceu 12%, passou de 25,65 dólares para 28,73 o par, o que já é resultado do melhoramento do produto.
Comércio - Quais as perspectivas de exportação para 2011?
Brigagão - A expectativa é de crescermos. Em 2008 tivemos uma crise, entre 2009 e 2010 recuperamos as perdas e a partir de outubro do ano passado passamos a crescer. Continuaremos nesse ritmo. Vamos montar o planejamento estratégico até março e teremos a projeção de crescimento assegurada. Sempre reforço que Franca teve o ápice das exportações em 1993 com 15 milhões de pares exportados. Terminou 2009 com 3 milhões de pares. Nossa meta agora é trabalhar junto ao governo federal para voltar aos patamares que já passamos, ou seja, buscar a desoneração das exportações, a desburocratização e uma política de exportação clara para que seja incentivada.
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