Reportagem de Marco Felippe e Nelise Luques
Os calçadistas de Franca têm investido mais em design, solados e couros na hora de produzir os sapatos com a meta de conquistar o mercado externo. Japoneses, árabes, bolivianos e, principalmente, europeus exigem produtos com melhor acabamento e conforto. Vale ousar e, no caso dos femininos, até fazer aplicações de pedras banhadas a ouro. A mudança começou na última década e os empresários já colhem frutos dos investimentos. Em 2010, a expectativa era fechar o ano com 3,5 milhões de pares exportados - o balanço ainda não foi fechado. Em 2009, o montante chegou a 3,1 milhões de pares. Os dados são do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca).
Na busca pela excelência do calçado, as fábricas montam laboratórios de testes, escalam funcionários especificamente para a revisão das matérias primas, consultam sites e revistas especializadas, participam de fóruns e fazem viagens de pesquisa de tendências e exigências do consumidor no exterior. O Centro de Design, no Senai, tornou-se um aliado para os que querem ter calçados mais arrojados. Antes de embarcarem para o exterior, os sapatos passam por diferentes testes de resistência no laboratório do núcleo.
Com até 60% da produção destinada a outros países, a Anatomic Gel investe pesado para produzir um sapato de qualidade. “Gastamos em torno de US$ 100 mil por ano para deixar o calçado mais competitivo, com uma aceitação maior lá fora”, disse o empresário José Rosa Jacomete, o Zuza. A fábrica embarca para 32 países sapatos com forro de carneiro, couro natural, solados especiais e outros diferenciais que agregam maior valor à peça. Segundo Zuza, que tem seis anos de experiência com exportação no mercado europeu, seu calçado chega a custar 150 euros, o equivalente a R$ 330. “O sapato brasileiro não deve nada para os demais concorrentes e não tem mais problema com qualidade”.
Para não perder as propriedades do sapato, a Opananken trabalha sempre com os mesmos fornecedores. Gerente comercial da empresa, Sebastião Donizeti Siqueira, disse que a fidelidade com os vendedores de matérias primas é praxe na fábrica. “Ajuda a manter a qualidade. A Amazonas nos fornece há 20 anos, o curtume há 19”. A empresa fechou no ano passado contratos com 15 diferentes países, entre eles Suriname e Arábia Saudita.
Segundo os calçadistas, não adianta ter o melhor profissional se os artefatos deixam a desejar. Na cruzada pelo diferencial, os industriais encontram na brasilidade a receita para fisgar a clientela. A criatividade e a confecção manual tornam os calçados francanos exclusivos. “Para conquistar os clientes, usamos produtos 100% naturais e optamos por uma fabricação artesanal”, disse Douglas Chicaroni, gerente de exportação da Albanese Calçados, presente em 35 países.
Presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, diz que um dos fatores que ajudam a valorizar o produto francano é a presença dos empresários nos territórios consumidores. A Stefanello adotou essa tática e em agosto de 2010 contratou um estilista para remodelar suas criações. “Passamos a fazer pesquisas para saber que estação cada País vive, o tipo de forma e produto que desejam. De quatro anos para cá, as indústrias de Franca deixaram de ser apenas fábricas e se profissionalizaram”, disse o empresário Jaime Borges.
Assista ao vídeo:
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.