As cinco irmãs que acusam o próprio pai de estuprá-las reafirmaram ontem à polícia as denúncias que tinham feito na última quarta-feira, 5. As filhas alegam que o pai passava a mão em suas partes íntimas e mantinha relações sexuais com elas havia anos. As vítimas têm 29, 19, 17, 15 e 8 anos de idade. Apesar de confirmarem todas as denúncias, deixaram claro para a delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Graciela Ambrósio, que vivem um momento de conflito íntimo e por isso serão encaminhadas para atendimento psicológico. O pai, que é dono de uma banca de pesponto e tem 50 anos, continua desaparecido e é esperado para interrogatório na segunda-feira à tarde.
A delegada ouviu dez pessoas ontem. Além das cinco irmãs, o namorado da de 15 anos, o tio (irmão do acusado), a atual mulher dele (mãe de quatro filhas) e dois filhos de 13 e 11 anos prestaram depoimentos durante todo o dia. As oitivas começaram às 10h30 e oito horas depois nem todos haviam prestado declarações. Os depoimentos foram acompanhados pela conselheira tutelar Rilda Dias. “Pedi a presença da conselheira como testemunha para evitar que alterem as declarações posteriormente”, disse Graciela.
Segundo a delegada, as filhas têm pena do pai. “Percebi um conflito de sentimentos porque elas sentem raiva e não querem mais viver aquela situação, mas têm dó do pai, porque dizem que ele é trabalhador e nunca deixava faltar nada em casa. Elas têm medo dele ser preso, porque ele fala que vai se matar. Elas viveram uma chantagem emocional muito forte e isso as deixa em conflito”.
Segundo a delegada, as filhas estavam mais tranquilas ontem do que na quarta-feira, dia do primeiro depoimento, e forneceram mais detalhes sobre os fatos. No depoimento, a de 15 anos afirmou que via o pai mantendo relações com as irmãs. A de 8 disse que o pai aproveitava para abusá-la quando a mãe não estava ou a levava para a banca de pesponto, deitava no chão e a colocava em cima dele. Disse também que oferecia dinheiro, mas ela não aceitava. “Hoje tenho ainda mais convicção dos fatos porque ouvi detalhadamente as vítimas. Elas se abriram mais. Não pedi a prisão dele porque está foragido e isso complicaria a situação. Vou aguardar ele se apresentar na segunda-feira para decidir que providências tomar”.
As filhas alegam que os abusos aconteciam em casa e até três vezes por semana. De acordo com Graciela, a mãe declarou que não desconfiava dos abusos e que tinha relações sexuais com frequência com o marido. Na quinta-feira, a filha de 29 anos, fruto do primeiro casamento do empresário, declarou à polícia que há 14 anos tinha contado aos familiares que o pai a estuprava, inclusive para a atual mulher dele, mas eles não acreditaram nela. “Disse que depois que a enteada de 29 anos falou dos abusos, até passou a observar o marido com as filhas, mas nunca flagrou nada”. As irmãs alegam, nos depoimentos, que guardavam segredo porque o pai ameaçava matar a família toda e se suicidar caso contassem para alguém dos abusos.
ONDE ESTÁ
A reportagem entrou em contato com o advogado João Batista Palim que esteve na delegacia na quarta-feira como representante do acusado e acompanha o caso. Segundo ele, o acusado retornou para Franca e tem mantido contatos. Embora tenha informações sobre o empresário, alega que não assumiu o caso e já o orientou a procurar outro profissional para defendê-lo. “Presto serviços para ele na área trabalhista e quando soube da movimentação da polícia em sua casa, ele me procurou. Ajudei a entender o caso, mas quando soube do teor das denúncias não me interessei mais em representá-lo porque não me sinto à vontade”.
A família se recusa a falar sobre as denúncias. A reportagem do GCN tentou vários contatos com as filhas e a atual mulher do acusado na quinta-feira, mas elas se negaram a dar entrevistas. Ontem, na DDM, a filha de 17 anos disse que não dariam declarações e “não adiantava a reportagem insistir”.
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