A irmã mais velha das cinco que acusam o próprio pai de abusá-las sexualmente confirmou ontem, em depoimento à polícia, que contou aos familiares sobre o estupro, mas eles ignoraram suas revelações. O marido dela, com quem vive há 15 anos, também prestou depoimento na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e confirmou que os dois haviam relatado os abusos aos familiares da vítima, que hoje está com 29 anos e teria sofrido abusos dos 8 aos 15. O pai das jovens, que moram na zona Norte, tem 50 anos e é dono de uma banca de pesponto. Ele ainda não se apresentou à polícia.
A mulher prestou depoimento ontem pela segunda vez desde que o caso veio à tona. Na DDM, apresentou mais detalhes sobre a acusação contra o empresário. Afirmou que os fatos eram de conhecimento de toda família porque ela própria contou, há 14 anos. Ela alega, segundo a delegada Graciela Ambrósio, que quando começou a namorar, aos 15 anos, contou para o namorado - atual marido - que o pai mantinha relações sexuais com ela. O rapaz afirmou no depoimento que ficou revoltado e convenceu a namorada a contar para os parentes. Ela aceitou, mas não teria encontrado apoio. “Ele (o marido) alega que procurou pelo tio (irmão do pai da vítima), a madrasta (mãe das outras quatro irmãs) e irmãos mais velhos da vítima. Ele tentou alertá-los para o mesmo não acontecer com as outras irmãs, mas ninguém acreditou. A vítima fala que todos da família passaram a rejeitá-la e ficaram contra ela depois que contou, inclusive a própria madrasta”, disse Graciela.
Ainda segundo a delegada, o marido disse que tentou convencer a mulher a registrar o caso na polícia, mas ela preferiu manter o silêncio. “A vítima achou melhor não, porque o pai tinha outros filhos e a madrasta estava grávida”. Após as denúncias, a jovem saiu de casa e foi morar com o então namorado. “Ela preferiu ficar distante daquela situação”, disse a delegada. A filha de 29 anos só teria tomado conhecimento de que as irmãs também sofriam abusos em casa nesta semana, quando o caso chegou ao conhecimento da polícia.
A delegada prossegue hoje com coleta de depoimentos para dar continuidade à investigação. Dois irmãos menores - filhos do segundo casamento -, a filha de 15 anos e o namorado dela, além de outros parentes, deverão ser ouvidos na DDM. O acusado será convocado nos próximos dias para interrogatório na delegacia. “Dependo de coletar mais alguns detalhes para chamá-lo”. O advogado afirmou à delegada que o empresário irá se apresentar à polícia.
O CASO
A denúncia contra o empresário foi registrada na DDM na quarta-feira, dia 5. Ele teria estuprado as cinco filhas, de 29, 19, 17, 15 e até uma criança de 8 anos, ao longo de duas décadas. A mais velha é fruto do primeiro casamento. Nenhuma das vítimas havia denunciado o caso. A história veio à tona depois que a adolescente de 15 anos viajou com o namorado para Ibiraci (MG) e se recusou a retornar para casa. Ao questioná-la, a mãe, que é sapateira e tem 39 anos, ouviu da filha que o pai abusava sexualmente dela e das irmãs. A mulher pediu ajuda para o cunhado que, depois de ouvir as mesmas acusações das outras sobrinhas, resolveu denunciar o caso à polícia.
As filhas alegaram que o pai passava a mão nelas e mantinha relações sexuais, exceto a criança de 8 anos. Ela disse à delegada Graciela Ambrósio que o pai passava a mão em suas partes íntimas, fazia sexo oral e tentava introduzir o órgão sexual em sua vagina. O exame do IML (Instituto Médico Legal) confirmou que não houve conjunção carnal.
A vítima de 17 anos afirmou à polícia que o pai ameaçava matar os irmãos, ela, a mãe e depois se suicidar se contasse para a mãe dos estupros. Por isso todas teriam se calado. No depoimento, a jovem também afirmou que via o pai com as irmãs na cama, passando a mão nelas e, quando acendia a luz, ele saía. Declarou ainda que quando a mãe perguntava onde estava, o pai dizia que “cobrindo as filhas e também dando beijo de boa noite”. A delegada Graciela Ambrósio disse que não tem dúvida de que os abusos são reais. “Ouvimos todas as vítimas e há coerência, elas falam com muita convicção e os detalhes são muito semelhantes. Achei relevante que declararam que chegavam a ver o pai na cama uma da outra. Eu não tenho, inicialmente, nenhuma dúvida de que ocorreram os fatos”.
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