2011


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A maioria das pessoas tem dificuldade de acompanhar a vida política e verificar os enormes desafios que se colocam aos governos dos países pobres numa economia globalizada, onde a maioria dos elementos da economia são decididos por um pequeno contingente de técnicos e banqueiros, em geral refletindo interesses do grande capital e das grandes empresas. A frustração com a ação dos governos é frequente.

Por isso, é significativo que o governo do PT que se encerra tenha chegado a 83% de aprovação, ao mesmo tempo que, amplificada pela mídia majoritariamente contrária ao partido, procurou-se consolidar uma visão que criminaliza todo o Partido dos Trabalhadores, sem exceção. Colocando todos dentro do mesmo saco, igualando-se nas práticas políticas condenáveis do ‘caixa 2’, há uma diluição de esquerda e direita como se não existissem diferenças nas políticas públicas que adotam.

Não há como concordar com uma visão utilitarista da política, de que vale tudo. Quem descumpriu a lei, deve ser punido. Quem for responsável por ‘caixa 2’ ou corrupção, deve ser punido. Porém, há uma diferença enorme entre esta questão e a trajetória do PT. Os primeiros governos do PT, ainda na década de 1980, mostraram que tinham propostas. Há uma relação imensa das inovações produzidas pelos governos do PT que deixaram marcas profundas para melhor nas quase duzentas cidades brasileiras que o partido administrou nestes anos. O orçamento participativo (OP) de Porto Alegre tornou-se uma referência mundial, exemplo de modelo de participação e democracia direta. Pesquisas evidenciam que as políticas sociais avançam mais em governos do PT.

Na habitação social, as experiências de mutirões auto-geridos mudaram o perfil do financiamento público para moradia, como o subsídio do Minha Casa, Minha Vida. Houve uma inversão de prioridades, um tratamento que passou a levar em conta os interesses da maioria trabalhadora.

Isso aconteceu em Franca embora pouco se diga sobre a transformação que ocorreu no transporte coletivo urbano, dando-lhe caráter de política pública séria e compromissada com a qualidade do serviço público. Ou mesmo da diferença do tratamento dado pelo governo Gilmar Dominici aos setores menos privilegiados, de investir o pouco que a prefeitura tinha nas regiões mais pobres através do OP (extinto no atual governo, que não ouve nem os empresários que o bajulam), como a pavimentação do complexo de loteamentos populares da região do Jardim Luiza, naqueles anos de recessão e vacas magras de FHC e sem dinheiro da Sabesp.

O PT administrou bem o País e, com Dilma presidente, tem tempo para se rever e se preparar para as mudanças mais profundas que a sociedade brasileira exige; evitar que a burocracia domine sua vida interna, reconhecer as diversidades que são sua principal característica, levar a arte e a cultura para dentro de sua vida, sem o que os jovens não se reconhecerão nele. Retomar com arrojo, enfim, a utopia transformadora deste País desigual e injusto, que foi o combustível que nos levou a participar, tantos anos atrás, da criação de um partido político.

Mauro Ferreira
Arquiteto

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