Gororoba


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Desde as eleições em dois turnos calei minhas críticas em respeito a grande maioria da opinião do eleitor brasileiro. Não tendo votado na guerrilheira era de meu dever, e continua sendo, fidelidade e torcida para que tudo se encaminhasse na boa direção do engrandecimento da pátria, e justiça para 120 milhões de almas.

Acompanhei silente o primeiro passo da presidente eleita, a escolha do governo de transição, em que alguns pontos nebulosos preocupavam. Entre seus componentes foi nomeada Christiane Araújo de Oliveira, que acabou pedindo exoneração por processos em andamento na justiça federal de Alagoas pelo caso ambulância – quadrilha de sanguessugas. Ela, na transição, iria ajudar o Palocci envolvido em outros processos que o Supremo sabe explicar onde foram parar.

Não ficou difícil constatar na composição do governo, manutenção do mesmo cardápio dos oito anos de Lula. A mesa do Palácio da Alvorada manterá a mesma buchada de bode e rabada com polenta sem qualquer mudança, mesmo nos condimentos, que serão mantidos com destaque para um deles, o mais picante: corrupção.

Imaginou-se alguma esperança na declaração da mulher presidente eleita, com o propósito de botar em seu governo somente bem avaliado de ficha limpa, capacidade técnica e moral ilibada. No entanto, a mentira se desfez na torpe frustração, escolha e posse de ministros de ficha borrada.

Não se mudando a disposição de Dilma para assumir as rédeas do governo, a nação ficará condenada a amargar as decisões de Palocci, liberado para extraordinários poderes lícitos ou não na Casa Civil. Zé Dirceu, atrás da cortina, aconselhará como conviva a trupe encastelada no governo. Lula desfrutará o poder através dos ministros por ele impostos à mulher presidente. José Sarney continuará poderoso emplacando novos domínios. Nomeou Ministro do Turismo seu assecla deputado Pedro Novais – o da festa de aniversário no bordel, digo motel –; mas com dinheiro público. Exigências dos meeiros do poder e seu próprio partido (PT), se encarregam de alojar derrotados e vitalícios, súcia de ficha borrada. Ideli Salvatti (PT/SC) faturou o Ministério da Pesca sem adiantar o que vai pescar. Em Brasília como senadora recebeu dinheiro da viúva em auxilio moradia mas precisou melhorar o rendimento cobrando notas de estadia em hotel. Que nome se atribuir-lhe? No ministério de Dilma, Iriny Lopes se declara defensora da descriminalização do aborto, tese sua antiga. Não quero aqui bater em desvios anteriores, de absoluta gravidade, alguns dormindo no Supremo, outros arquivados, alegando-se falta de provas. Entre outros, leia-se Palocci.

A maior agremiação política do Brasil (PT) conseguiu seu espaço diante de um povo que acreditava em mudanças, perseguindo-as com aferro. Bastou vestir-se de ética, pintar-se com a auréola e bons princípios até chegar ao poder. Almejado atingido, a verdade se instalou: iremos nos empanturrar por mais anos da indigesta gororoba petista, apoiados por associados – base de apoio ao governo – vendilhões da Pátria.

Garcia Netto
Jornalista

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