Ih!


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São por demais os ‘is’ na vida do brasileiro. Nem bem começa o ano e a cabeça do contribuinte já está focada nos mais diversificados boletos para pagamento de impostos.

Os avisos de vencimentos chegaram durante a última quinzena de dezembro misturados à correspondência rotineira, normalmente composta de felicitações natalinas ou de cobranças atrasadas.

Ao se deparar com o envelope/boleto de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) 2011, jogado na garagem ou dentro da caixinha do correio, o feliz proprietário de um carro exclama de cara: !Ih! Chegou...!”. De saída, a interjeição expressa espanto porque ele sabe que o dinheiro está curto e o vencimento é em janeiro mesmo.

No entanto, quando rasga o picote e constata o valor total do boleto vem ao rosto do proprietário a expressão de um perigo iminente. Onde conseguir dinheiro para pagar o IPVA? Sem contar o DPVA (Seguro Obrigatório), a TL (Taxa de Licenciamento) e mais a postagem para envio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo) ao seu domicílio.

Passado o espanto e o perigo a interjeição revela também as ironias impostas ao contribuinte. A primeira delas está no fato de o Estado cobrar 4% do valor de mercado do veículo como IPVA. Se a Secretaria da Fazenda avalia o carro em dez mil reais, emite boleto com valor de R$ 400,00. Só que se o dono for vender o carango não acha nem cinco mil.

É ou não é irônica a atitude avaliativa para cobrar o tributo? O certo então seria o Estado comprar o veículo pela avaliação de dez mil reais. A outra ironia está no contribuinte ter de pagar para licenciar o veículo anualmente. Ao quitar o IPVA o proprietário já deveria ter reconhecido o direito de transitar. Aliás, sem precisar de pedágio.

De ‘i’ em ‘i’ o poder público enche o papo no começo do ano. Paralelamente ao IPVA, costuma também chegar o carnê/boletos de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Segundo o Secretário, o contribuinte não recebe carnê de IPTU. A Prefeitura entrega anualmente, no final de ano, é o aviso de débito da arrecadação tributária municipal.

Esse negócio de carnê está fora de moda até para compras! Onde já se viu alguém comprar a prazo nos dias de hoje, para pagar mensalmente? Todo mundo é chique no ‘úrtimo’: só usa cartão de crédito. Fiado? Pouca gente sabe o que é isso. Mais ou menos, era uma transação comercial em que se pagava depois. Claro, havia taxa de administração embutida no valor!

Inspire, respire e suspire também. Por enquanto, pelo menos o ar ainda não tem um ‘i’. O IPTU e o IPVA já chegaram. A partir de março vem o cálculo do IR (Imposto de Renda). Até lá, divirta-se com as parcelas dos tributos municipais e estaduais.

Ou você é dos afortunados que paga tudo em parcela única, livrando-se das taxas de administração pelo débito parcelado? Fiado nunca foi de graça!

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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