Brasil com Dilma


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Depois das cerimônias oficiais de posse, a presidente Dilma Rousseff deve começar seu trabalho de forma efetiva nesta segunda-feira. A primeira presidente mulher do Brasil já tem uma grande vantagem, pois assume sem que haja uma ruptura no trabalho, eleita que foi pregando a continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E esta deverá ser a tônica de seus primeiros meses, desfrutando de uma relativa tranquilidade para levar adiante os planos e projetos que ela mesma vinha coordenando quando de sua passagem pela Casa Civil. A ‘mãe do PAC’ e seus auxiliares não terão porque atravessar os primeiros meses da gestão reclamando de uma ‘herança maldita’ do governo — como Lula e seu então chefe da Casa Civil, José Dirceu, no primeiro mandato, em 2003. Ela terá, sim, que mostrar a que veio, inclusive ampliando os principais programas de transferência de renda —como o Bolsa Família —, de obras e infraestrutura — PAC I e II — e na área de educação — incrementando os projetos de inclusão e de ampliação da rede física do ensino profissionalizante e superior. Estas foram algumas de suas promessas na campanha eleitoral.

Além disso, o brasileiro já deixou claro que espera que o governo da nova presidente avance ainda mais: pesquisa CNT/Sensus, divulgada nos últimos dias de 2010, mostra que a população ainda anseia por uma melhoria significativa no setor de Saúde Pública, com o aprimoramento das ações e melhoria na rede de atendimento. Afinal, grande parte dos brasileiros ainda depende do atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e os problemas verificados no último ano mostram que o governo ainda não encontrou uma forma de ampliar os repasses — sem a criação de novos impostos — que permitam uma melhoria geral neste setor. Pacientes continuam morrendo, a falta de medicamentos gratuitos é patente e muitos ainda precisam brigar na Justiça pelo direito de acesso a procedimentos de alta complexidade ou a remédios mais caros.

Outra grande expectativa é quanto ao combate à corrupção. Embora a Polícia Federal nos últimos anos tenha sido pródiga em operações que ajudam a enfraquecer essas estruturas criminosas, a falta de uma sequência nos processos (poucos são efetivamente condenados e penalizados por conta desta prática ilegal, imoral e danosa aos cofres públicos), a presidente terá que manter o pulso firme e cobrar ações efetivas de seus subordinados. Além disso, precisará mudar um discurso bastante comum de seu antecessor: a imprensa não tem culpa de que elementos do governo se aproveitam das facilidades que encontram para corromper e serem corrompidos. Ela vai precisar, sim, apresentar respostas rápidas diante de qualquer irregularidade, para não se colocar sob a suspeita da conivência. Agindo assim, estará dando razão para os mais de 55 milhões de brasileiros que fizeram de Dilma Rousseff a presidente do Brasil.

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