Disse o poeta: ‘Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias chamadas anos, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão’
E continua: “Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente’. (Carlos Drumond de Andrade - A Renovação!). Na história da humanidade, o calendário e a data do início do ano variaram no decorrer dos séculos. O primeiro calendário foi criado por Rômulo em 753 da fundação de Roma. Nele, o ano tinha 304 dias, dividia-se em 10 meses e iniciava-se em 1º de março. Numa Pompílio, sucessor de Rômulo, estabeleceu o ano de 155 dias divididos em doze meses, iniciando-se em 1º de janeiro. Júlio César reformulou, determinando que o ano fosse de 365 dias e, para ajustar o ano comum ao ano solar, que se acrescentasse um dia a cada quatro anos (ano bissexto), iniciando-se o chamado calendário ‘Juliano’ em 1º de janeiro.
Sob Carlos Magno, foi novamente mudado o início para 1º de março. No século XII, a Igreja fixou o 1º dia do ano no sábado de aleluia. Carlos IX restabeleceu o dia 1º de janeiro.
Em 1582, o Papa Gregório XIII, para corrigir diferenças do calendário ‘Juliano’, retirou 10 dias do ano para conseguir determinar corretamente a data da Páscoa. O governo republicano francês de 1792 decretou que o início do ano seria no dia do equinócio de outono no hemisfério norte, 22 de setembro. Finalmente, em 1806, foi restabelecido o ano gregoriano, que começa no dia 1º de janeiro. Esse é o que ainda temos.
Nossa tradição aponta algumas comidas que dão sorte na passagem de ano. Lentilhas – uma colher assegura fartura o ano todo. Romãs – Atraem dinheiro e devem ser saboreadas em sete partes, guardando-se as sementes na carteira. Bagos de uva – Os portugueses trouxeram-nos a crença de que comer 3, 5 ou o número equivalente ao seu número de sorte em bagos de uva, garante prosperidade, que será maior se as sementes forem guardadas na carteira o ano todo. Nozes, avelãs, castanhas e tâmaras – Hábitos multiplicados por imigrantes árabes, que igualmente garantem fartura.
Além da comida, o Ano Novo no Brasil traz consigo outras superstições, tais como usar roupa branca como resultado da popularização das religiões africanas, que incentivam o branco como símbolo de paz, pureza e bondade; usar uma peça amarela, cor que representa o poder do ouro e atrai dinheiro; uma nota de dinheiro no sapato atrai riquezas, pois segundo os orientais toda a energia vem dos pés; lençóis novos significam abandonar as possíveis ameaças do ano que termina; fogos de artifício, além de iluminar o novo ano, têm o poder de afastar os ‘maus espíritos’.
Na virada do ano percebemos com mais nitidez os aspectos de nossas vidas que devíamos mudar ou aprimorar. Nessa época reconhecemos e percebemos os relacionamentos que realmente valem a pena, as situações que gostaríamos de mudar de verdade, percebemos que somos responsáveis por essas mudanças e pelos resultados que obtemos em nossas vidas. Essa emoção que nos invade faz-nos sentir parte de um todo infinito.
Ao final de mais uma etapa é importante que todos nós façamos uma reflexão sobre o que fizemos no ano que terminou, definindo metas, estabelecendo planos de ação, planejando coisas importantes a fazer no novo ano. É importante questionar aonde queremos chegar. Qual a direção que queremos seguir. Se continuarmos a fazer as mesmas coisas, seguirmos os mesmos caminhos, naturalmente continuaremos a obter os mesmos resultados sem nenhuma mudança evolutiva. Em teoria, todos nós seres humanos sabemos como deveria ser o mundo ideal: todos os homens seriam irmãos, respeitariam suas diferenças e conviveriam em paz e as divergências seriam minimizadas pela prática da confraternização. No entanto, no dia a dia a maioria prefere usufruir das riquezas e poder a olhar os seus semelhantes.
Em síntese, temos aí mais um Ano Novo, nova etapa de renovação de sonhos, crenças e fé no futuro. Todos nós possuímos um trabalho a fazer, responsabilidades a realizar, influências a exercer. Assumir a responsabilidade da própria vida e dos resultados obtidos em razão dessas decisões não é fácil, porém a definição do direcionamento de nossas vidas é o mais corajoso dos atos.
A todos os leitores deste Comércio que nos prestigiam com sua leitura dominical, desejamos um Feliz Ano Novo e que mantenham sempre acessa a alegria de viver.
MAIS PARA A REFORMA POLÍTICA
O financiamento de campanha deve ser público, com critérios claros e bem definidos permitindo que todos os candidatos estejam em igualdade de condições (recursos financeiros) para disputar as eleições. Para ter direito ao financiamento o candidato deverá ter frequentado e sido aprovado em curso de preparação para Administração Pública. Após as eleições, todos candidatos terão de prestar contas e aquele que não tiver suas contas aprovadas não poderá tomar posse. O dinheiro para custear o financiamento de campanha deve vir do orçamento anual do Congresso – que é de aproximadamente R$ 6 bilhões –, enquanto o do Congresso alemão (segunda economia do mundo) é de R$ 2 bilhões. Também, se realizarmos apenas uma eleição geral no país em vez de duas a cada quatro anos, os custos envolvendo a logística seriam repassados também para o financiamento.
BOA SORTE ‘PRESIDENTA’
Presidenta Dilma. Para ser uma boa Presidente do Brasil é necessário ter a capacidade de ‘manejar’ politicamente os poderes constitucionais de forma a fazer face à gestão dos sérios problemas existentes e dos que possam surgir. Exige uma atenção desperta para os cidadãos, tanto aos que emergem pela idade, aos que estão em atividade e principalmente dar segurança, em todos os sentidos àqueles que já deram suas contribuições para o crescimento de nosso país. Que Deus ilumine nossa Presidenta!
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -
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