Diminuição da carga tributária. Essa é a principal expectativa dos francanos sobre o governo da nova presidente da República, Dilma Rousseff (PT). A população também quer que Dilma assuma um compromisso maior, em rela-ção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com problemas básicos do País, como a saúde. A reportagem do Comércio foi às ruas e ouviu pessoas de diferentes idades e perfis econômicos sobre as expectativas para o novo governo. Apesar de questionada, a po-pulação não conseguiu citar pontos específicos de diferenciação en-tre Dilma e Lula. Apresentaram apenas desejos genéricos.
A avaliação do governo Lula é positiva e o desejo é de manutenção dos principais programas, como “Minha Casa Minha Vida”. Mas a população não quer que a nova presidente se apoie no governo anterior e desenvolva seus próprios projetos, com algumas alterações na política econômica. O auditor Renato Miranda, 55, manifestou preocupação com os caminhos da economia brasileira. Ele pede um combate incisivo à inflação. “Neste ano, nós teremos uma inflação mais alta. O IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) já bateu nos 10%, isso é preocupante. Espero que tenha corte nos gastos públicos”.
Outra preocupação frequente é com relação à carga tributária, que Lula chegou a dizer que é adequada para o País. O pedido geral é de redução. O vendedor Edson Machado, 31, por exemplo, trabalha no ramo da perfumaria e se sente prejudicado pelos impostos. “No meu caso, a substituição tributária (imposto sobre produtos que o consumidor deveria pagar, mas que é recolhido pelo comerciante e repassado ao governo) é de 12%. Este número poderia ser reduzido para 10, 9%”.
Completando os ajustes econômicos estão a mudança do câmbio, com valorização do dólar, e sobretaxação do calçado asiático, para fortalecer o calçado nacional. Para os francanos, Lula não protegeu de forma adequada a indústria calçadista brasileira.
Com relação à Franca, os temas que mais afligem os entrevistados são saúde e segurança pública. Na saúde, as principais reclamações são a demora no atendimento e a falta de postos. A população comemora o novo pronto-socorro da Vila Imperador, mas espera por pelo menos mais uma unidade em Franca. A insegurança também foi citada. A sapateira Elineia de Souza, 19, pede mais policiamento no Jardim Aviação, onde reside. Ela também quer melhores salários para sua categoria. “Por que temos que nos contentar com 7 ou 10% de aumento quando o salário dos deputados sobe daquela forma?”.
Confira mais opiniões:
“Nós precisamos desenvolver empresas de outros setores da economia. Assim, a cidade fica mais forte e nós poderemos aumentar a oferta de empregos”
Daiane Macedo, 18, estudante
Elineia Atila de Souza, 19, sapateira
“Minha expectativa para o governo Dilma não é das melhores. Neste ano, provavelmente nós teremos uma inflação mais alta. Eu espero que haja cortes nos gastos públicos”
Renato Miranda, 55, auditor
“A presidente precisa ajudar a construir mais postos de saúde na cidade e a melhorar o atendimento, que ainda é ruim”
Tiago de Brito, 21, sapateiro
“O dólar está barato, o que prejudica a exportação do calçado brasileiro. Estamos perdendo espaço para o calçado asiático. A presidente poderia sobretaxar estes produtos asiáticos”
Edio Groth, 54, gerente industrial
"Na área da Saúde, faltam médicos nos postos de saúde e o atendimento ainda é muito demorado. Vamos ver se ela dá mais atenção para este assunto"
Lívia Pelizaro, 25, auxiliar administrativo
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