Um triste começo


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Antes mesmo da posse, Dilma Rousseff viu, nos últimos dias do ano, integrantes de seu ministério tornarem-se notícia por conta de ações que, se não são ilegais, são tremendamente imorais. Três de seus futuros ministros gastaram parte da verba da cota parlamentar para agradecer a eleitores pelos votos recebidos. Próximo titular da Previdência, o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) usou R$ 23,2 mil da verba indenizatória para mandar 22 mil cartões e veicular mensagem de agradecimento a eleitores nas emissoras de televisão do Rio Grande do Norte. O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que comandará o Ministério de Relações Institucionais, pagou do próprio bolso os cartões de agradecimento, mas usou o dinheiro da Câmara para bancar a postagem - R$ 11,2 mil da cota de Correio. Futura ministra dos Direitos Humanos, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) também aproveitou o informativo com balanço de sua atividade parlamentar para agradecer aos eleitores pelos 143 mil votos que recebeu. Ela gastou R$ 14,5 mil em dezembro e R$ 23,8 em novembro numa gráfica de Porto Alegre para confeccionar o material, que traz na apresentação um mapa do Rio Grande do Sul com os municípios onde foi mais votada.

Todos os três envolvidos dizem que não cometeram nenhum ato ilegal, já que a legislação permite que parlamentares façam um balanço de seu governo e enviem correspondências pagando com a verba parlamentar. Luiz Sérgio é reincidente: já tinha sido acusado de tentar colocar como gastos de sua atividade como deputado as despesas em um motel no Maranhão. Diante das críticas, pagou a despesa. O que os políticos brasileiros ainda não entendem é que há uma linha tênue que separa a legalidade da imoralidade. E a utilização da verba parlamentar desta forma (afinal, eles têm proventos substanciais para que custeiem despesas do tipo, sem precisar avançar no dinheiro público) pode ser até legal, mas para quem trabalha dia a dia e depende dos proventos pessoais para cobrir todas as suas despesas, não deixa de ser uma afronta. Para muitos falta ao político brasileiro fazer um exercício de consciência para que utilize o cargo dentro da lisura que se espera dos representantes eleitos em todos os níveis.

As atitudes - que se somam às demais, como a farra das passagens aéreas ou a contratação de funcionários fantasmas - são uma prática danosa. O que se estranha é que administradores públicos e parlamentares, no correr dos anos, tentam tornar legais as ações que tomam em benefício próprio. Com isso, o governo de Dilma Rousseff, que se inicia neste primeiro de janeiro de 2011, já começa mal. Afinal, o brasileiro continua exigindo de seus representantes uma postura menos corporativista. Ao cabo do ano, vê-se que nenhum dos implicados em falcatruas foi condenado, nem mesmo diante da aprovação da lei da ‘Ficha Limpa’. Esta situação clama a população brasileira, precisa mudar. Há décadas a esperança é que a classe política deixe de produzir escândalos de toda ordem e passe a trabalhar, verdadeiramente, para o bem estar de todos os brasileiros.

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