O Nordeste brasileiro dá sinais de que busca seu lugar no desenvolvimento nacional. A região é historicamente lembrada como pobre, cenário de práticas coronelistas e de corrupção na política nacional. Os investimentos de infraestrutura lá ocorridos nos últimos anos a exemplo da duplicação da BR-101, a construção da ferrovia Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco (menina dos olhos do Lula); investimentos no setor produtivo como refinarias, outras ferrovias e rodovias; complexos portuários de Suape (Pernambuco), Pecém (Ceará) e Itaqui (Maranhão) injetaram bilhões de reais na economia local. Soma-se aí a ação da Petrobrás, que fomenta o retorno da indústria naval no nordeste com encomendas vultuosas de novos navios e plataformas marítimas.
Além disso, os programas de transferência de renda (Bolsa Família) e o aumento do salário mínimo foram responsáveis pela potencialização da economia da região, muito maior que nas demais, considerando-se que o consumo historicamente limitado, tem sido expandido na medida em que aumenta o poder aquisitivo. Esse indicador econômico é possível de ser detectado em conversa com calçadistas francanos que possuem hoje, na região, seu maior mercado.
É fato que a base econômica da região tem crescido sistematicamente e o maior indicador disso é a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O Nordeste - junto com o Norte -, lidera o crescimento de arrecadação nos últimos cinco anos. Conforme dados do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), dos 15 estados que tiveram um aumento de arrecadação acima da média nacional, 8 são do Nordeste; 4, do Norte. O crescimento tem sido acima média nacional e isso, na prática, consolida a tese do aumento do consumo, em função do aumento do poder aquisitivo.
Tem sido, ainda, importante destino para empresas que buscam participar da expansão do mercado, oportunidades de investimentos nos programas de infraestrutura, e surgimento de novos pólos de desenvolvimento.
Apesar de toda a melhora econômica e social no Nordeste brasileiro, ainda há enorme discrepância entre as diversas regiões do Brasil. Mesmo tendo o PIB de maior crescimento entre as regiões (projeção do Banco do Nordeste fala em 8,3% nesse ano, enquanto a média nacional será de 7,5%) e 28% da população brasileira, o Nordeste representa apenas 13,5% do PIB nacional. Isso demonstra que ainda há grande concentração da riqueza nacional em determinadas regiões (Sul e Sudeste) e, em particular, em alguns estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais).
O Nordeste brasileiro precisa continuar a receber altos investimentos para que, no longo prazo, as taxas de renda per capita (e qualidade de vida) entre as regiões do Brasil se aproximem, acabando de vez com o desequilíbrio regional existente. Hoje o PIB per capita nordestino é cerca da metade do PIB per capita nacional. Desenvolver permanentemente o Nordeste é tornar o Brasil homogêneo, único, justo e, ao mesmo tempo, reconhecer no nordestino a sua importância na geração de tantas riquezas pelo Brasil afora como, por exemplo, na capital paulista.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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