Neste último dia de 2010, o brasileiro tem muito a comemorar. Particularmente, os francanos também. A boa fase que a economia do município manteve durante todos os meses deste ano que se encerra é a principal delas. A recuperação - e ampliação - dos postos de trabalho na indústria calçadista foi o ponto de partida para que as cadeias produtivas de Franca - incluindo-se aí, além da indústria, também os setores de comércio e de serviços - se vissem ‘contaminadas’ e também registrassem um bom momento, além do esperado. Porém, num rápido balanço de final de ano ainda há o que se questionar. No que diz respeito à saúde pública, exigem-se avanços significativos no atendimento da maioria da população -que não conta com um plano de saúde. Em 2010, as mortes de três pacientes logo depois de terem sido atendidos no Janjão deixaram - além das famílias inconformadas - a população assustada. A espera - ainda longa - registrada no Pronto-socorro ‘Dr. Janjão’ talvez melhore com a inauguração da nova unidade emergencial de atendimento que a Prefeitura vem construindo na Vila Imperador, além do PS do Jardim Aeroporto e a implantação do Samu. A recente inauguração do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) pode ser mais uma medida positiva para melhorar o atendimento.
Já quanto à segurança pública, percebe-se que o Poder Público ainda não vem conseguindo promover maior tranquilidade ao francano, que não pode nem aproveitar as festas de fim de ano. Segundo registro da edição de ontem do Comércio, em três dias (no fim de semana do Natal) 48 residências foram furtadas em diferentes pontos de Franca. Ao longo deste ano, marginais conseguiram burlar até câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais. E o que é pior: mercadinhos, padarias e lojas de bairros passaram a ser alvos por conta do acordo fechado com a CPFL para o recebimento de contas de energia. Uma situação que levou até ao homicídio de um comerciante que reagiu.
Os acidentes de trânsito continuam em índice preocupante. O crescimento da frota de veículos no município preocupa, pois não se consegue dar a quem circula pelas ruas de Franca a tranquilidade necessária. A falha na formação de motoristas e motociclistas é destacada como a principal causa dos desastres, mas deve-se apontar que a irresponsabilidade, a desatenção e a despreocupação com a vida também são ingredientes desta perversa situação. No trânsito francano, além de se matar e se morrer bestamente, o número de infrações às leis continua alto e não há alternativas para se reverter este quadro em curto prazo. Se por um lado deve-se destacar o bom momento vivido pela cidade - acrescentando ainda o verdadeiro canteiro de obras que o francano acompanha, não só públicas mas também no setor da construção civil -, não podemos deixar de relevar ainda o que continua incomodando o francano, fundado no tripé saúde-segurança-trânsito. Espera-se que com a chegada de 2011, algumas destas situações sejam revertidas, trazendo maior tranquilidade para a população e permitindo às autoridades colocar outras prioridades em foco.
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